Carmem Murara
De Curitiba
O Estação Plaza Show – primeiro shopping de lazer do País – inicia uma reestruturação geral em seus negócios que fará com que o empreendimento se aproxime aos poucos do padrão de um shopping convencional. A intenção é manter a área de lazer como âncora, mas o espaço destinado a lojas vai passar de 10% para 42% no prazo de um ano, o que deverá atrair maior público. A mudança começou ontem com o anúncio da retirada das catracras, que cobravam um ingresso de R$ 3,00. O visitante não precisará mais pagar para se divertir no antigo prédio da Rede Ferroviária Federal, em Curitiba.
A mudança no rumo dos negócios foi a alternativa encontrada em conjunto por sócios e lojistas para salvar o Estação Plaza Show do fechamento das portas. No início do ano, havia um descontentamento geral dos donos de restaurantes e bares, que reclavam estar amargando um prejuízo imenso com o shopping de lazer. Liderados pelo empresário Tiara Kaufmann, eles alegaram que a bilheteria era um dos principais afugentadores do público.
O esvaziamento do local pode ser percebido nos números. O faturamento foi de R$ 12,1 milhões, em 1998, e não deverá ultrapassar os R$ 10 milhões este ano. Segundo a diretoria do Estação, 5,1 milhões de pessoas visitaram o local no ano passado, contra 4 milhões até ontem. ‘‘A bilheteira restringe o público que quer comprar’’, ressaltou o superintendente do Estação Plaza Show, João Marcos Alves Costa. Para compensar parte da receita, que deixará de ser recolhida sem a cobrança do ingresso, o estacionamento aumentou de R$ 2 para R$ 3 pelo período de três horas.
A tentativa de salvar o shopping de lazer partiu dos lojistas e ganhou apoio dos empreendedores, que aceitaram abrir mão da retirada mensal de dividendos. O condomínio e o aluguel também foram reduzidos em 40% desde outubro para se enquadrar na realidade de venda de quem está instalado no local. Com estas medidas, a superintendência espera convencer lojistas a investir no Estação.
A redução dos valores fez ainda baixar a inadimplência, que chegou próxima aos 50%. ‘‘Hoje temos uma indimplência de 2% e renegociamos as dívidas a juros congelados’’, disse Costa, ao assegurar que estão superados os desentendimentos entre lojistas e a administração do Estação. As ações judiciais também tiveram um freio por ambas as partes envolvidas.
Por causa das brigas internas e devido ao prejuízo que estavam tendo mês a mês, 30% dos empresários fecharam seus negócios desde a inauguração, há dois anos. São estes espaços vazios que serão preenchidos pelas lojas que venderão roupas, calçados, perfumaria e todo o tipo de produtos que podem ser encontrados dentro de um centro comercial comum. ‘‘Estamos agregando um shopping ao Estação Plaza Show’’, confirmou o superintendente. Costa define o local como um ‘‘grande shopping ancorado por um festival center’’. A segunda fase de mudanças fará com que haja mais 75 lojas no Estação.

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