Estabilidade traz otimismo para o setor de importados
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de abril de 1999
Pedro Livoratti 
Alguns setores da economia que sofreram queda de atividade com a alta do dólar diante do real, em janeiro, têm motivos para respirar mais aliviados com o câmbio dando mostras de estabilidade. Especialistas já afirmam que a cotação se aproxima do ponto ideal, apesar de a maioria da população torcer por uma queda maior da moeda americana. Quem trabalha com importados e sofreu fortemente o impacto da supervalorização prevê que a partir de agora os negócios tendem a se normalizar. A expectativa é que os juros também recuem na mesma proporção.
Antes do ajuste, o câmbio estava defasado. Acredito que a partir de agora os clientes deverão voltar a programar suas viagens, afirma o diretor regional da Associação Brasileira das Agências de Viagens (ABAV), Valentin Martins. Segundo ele, mesmo com uma tendência de normalização dos negócios, a baixa temporada deste ano deverá ter movimento menor do que no ano passado. Existe um impacto, mesmo que psicológico, afirma. De acordo com Martins, nas agências as consultas voltaram se intensificar a partir da estabilização do câmbio na faixa de R$ 1,70 nos últimos dias. Nas revendas de automóveis importados a estabilidade do dólar ainda é vista com alguma cautela. Revendedores desejam que os juros caiam para incentivar a compra financiada, também prejudicada com a elevação das taxas nos últimos meses. A cotação no nível atual já fez com que a clientela voltasse a nos procurar, informou o gerente administrativo da German Car, revenda BMW de Londrina, Carlos Alberto Andrade.
A loja chegou a interromper as vendas no auge da crise cambial, em meados de janeiro, seguindo orientação da associação nacional dos concessionários da marca. De acordo com o gerente, atualmente já existe um otimismo entre os vendedores de automóveis importados, embora os resultados não sejam os mesmos de cinco anos atrás, quando eram comercializados até 10 carros por mês. No mês passado foram vendidos três veículos.
Ainda segundo o gerente, para fazer frente à supervalorização as concessionárias da marca adotaram cotação promocional. Dependendo do modelo, a moeda americana vale entre R$ 1,33 e R$ 1,41. Já o gerente de vendas da Jabur Toyopar, revenda Toyota, Eduardo Tauil, acredita que esta estabilidade da moeda ainda não vai trazer o cliente de volta. Ele afirma que o ideal seria a redução das taxas de juros, o que incentivaria o financiamento. Mas o gerente admite que o fato dos especialistas apontarem que a cotação encontrou um ponto tido como ideal traz um ânimo maior para o setor. Ele explica que após janeiro, a montadora e rede concessionária optaram pela transformação dos preços em reais, reduzindo as margens de lucro.
Se o dólar se mantiver estável em torno de R$ 1,65, a desvalorização nominal da moeda brasileira ficará na casa dos 37%. A moeda americana chegou, em dias de grande tormenta, a ultrapassar a barreira dos R$ 2,00. Espero que os insumos que subiram no pico da crise também possam cair agora, afirmou ontem pela manhã um empresário do setor de confecções de artigos de couro, que preferiu não se identificar. Ele disse que entende a correção dos insumos cotados em dólar, mas acha que é preciso um recuo neste momento. Estamos todos trabalhando com margens muito apertadas, reclama.


