Estabilidade e prestígio são atrativos na carreira militar
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Fábio Galão<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - ''Para entrar na carreira militar, tem que ter vocação. Não é só um emprego. Ela exige uma dedicação que não tem tanto fora daqui. Você tem que ter um condicionamento físico básico e se aperfeiçoar sempre na carreira. E estar disponível 24 horas por dia, sete dias por semana.'' A declaração é do primeiro-tenente Emerson Baptista Silva, de 38 anos, do Exército brasileiro, e resume o espírito de quem abraça com dedicação a carreira militar.
Quando se fala em fazer carreira nas Forças Armadas, muitas pessoas pensam apenas em atividades relacionadas à função de combatente. Mas a carreira militar oferece muitas opções além dessa.
Baptista, por exemplo, trabalha na divisão de Tecnologia da Informação (TI) da 5 Região Militar (RM), em gerenciamento de redes e segurança. ''Já tinha formação técnica em processamento de dados e prestei concurso para a Escola de Sargentos. Fui aprovado e fiz o curso, de três anos, no Recife. Dei baixa, voltei para Curitiba e fiz curso superior de analista de sistemas. Mas sempre senti falta dos valores que a gente encontra na instituição (Exército): hierarquia, disciplina, amizades autênticas. Então, prestei o concurso da Escola de Administração do Exército e fiz o curso em Salvador. Como a escola pega várias áreas, desde Informática até Direito, o objetivo é fazer uma adaptação da formação civil à vida militar. Ao final do curso, houve a distribuição de vagas e voltei para Curitiba, onde estou até hoje'', descreve o primeiro-tenente.
Felipe Eduardo Haddad, de 28 anos, também primeiro-tenente, formou-se engenheiro civil no Instituto Militar de Engenharia (IME), no Rio de Janeiro, e atualmente exerce a profissão na Comissão Regional de Obras (CRO) da 5 RM. ''Tinha interesse em Engenharia Civil ou Mecânica. Cheguei a começar o curso de Engenharia da Produção em Juiz de Fora (onde mora a família de Haddad), mas paralelamente estava estudando para entrar no IME, porque vislumbrava a carreira militar. A formação do IME é forte e muito respeitada. O que me interessava era a segurança e a estabilidade (da carreira militar) e me formar numa escola de excelência'', explica Haddad.
O primeiro-tenente, já formado, veio para Curitiba em fevereiro de 2009. No CRO, trabalha em projetos básicos para obras do Exército no Paraná e em Santa Catarina, como pavilhões, estruturas de abastecimento e moradias militares. Depois disso, acompanha as licitações e fiscaliza os projetos posteriores e as execuções.
Cirurgião vascular no Hospital Militar de Curitiba, o primeiro-tenente Rogério Santos Silva, 40 anos, já havia trabalhado como médico temporário no Exército e em 2004 foi aprovado em concurso. Ele cita que os interessados buscam a carreira militar pela estabilidade e por gostar da vida nas Forças Armadas. O primeiro-tenente acredita que a visão dos mais jovens, preconceituosa em muitos casos, está mudando.
''Está havendo mais interesse. As pessoas estão vendo que as coisas não são como elas pensavam. Está certo, aqui temos um regulamento disciplinar e uma hierarquia, mas no fundo isso existe em qualquer carreira. Meu trabalho é igual ao que eu teria em um hospital civil'', afirma ele, que atuou por seis meses na Missão de Paz no Haiti, entre 2007 e 2008.


