Estabilidade do Plano Real não é tudo para o brasileiro
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segunda-feira, 01 de julho de 2002
Agência Estado 
São Paulo - Exatos oito anos após o seu lançamento, o real e a estabilidade de preços associada à moeda continuam a ter grande peso entre os eleitores por causa do doloroso passado inflacionário do Brasil, especialmente para os mais pobres, segundo avaliam economistas ouvidos pela Agência Estado. Mas a diferença em relação às eleições presidenciais de 1994 e 1998 está no fato de que a estabilidade, isoladamente, já não basta aos olhos do eleitorado.
Em 1994, as apostas dos partidos de oposição contra o sucesso da nova moeda, lançada no dia 1º de julho daquele ano, acabaram favorecendo o candidato do governo, Fernando Henrique Cardoso. Quatro anos depois, Fernando Henrique se reelegeu não apenas pelo plano em si, mas também porque aos olhos do eleitorado a estabilidade estaria em risco com a alternância no poder, dado o caos financeiro que o mundo vivia após as crises nos países asiáticos em 1997 e na Rússia de 98.
''Em 1998 o Brasil estava ameaçado de uma crise iminente e os eleitores entenderam que o Fernando Henrique era o que tinha melhor condições de enfrentar essa crise. Agora temos um horizonte de crise, mas não uma crise iminente. E a discussão passa a ser quem conseguirá alcançar uma estabilidade macroeconômica mais ampla'', comenta o ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser Pereira. ''Agora falta o desafio dos juros e do desequilíbrio externo'', comenta.
''A estabilidade de preços é uma condição necessária, mas não suficiente para garantir o crescimento econômico sustentado. E também não é uma conquista definitiva mesmo após esses oito anos'', reforça o economista Eduardo Gianetti da Fonseca, professor do Ibmec-SP, lembrando que num conceito mais amplo ainda é preciso ao Brasil alcançar estabilidade no câmbio, no nível de atividade econômica e nos juros.
Estabilidade de preços mantida, as promessas dos candidatos de diferentes partidos convergem agora para o que se pode acrescentar a ela em termos de crescimento econômico a taxas maiores e de melhor distribuição de renda para a população. ''Não manter a estabilidade seria um claro suicídio político, e os candidatos sabem disso'', comenta Bresser Pereira.
O que os candidatos ainda não conseguiram explicar claramente, segundo os economistas ouvidos pela Agência Estado, é de que maneira conseguirão alcançar esses três objetivos de maneira simultânea. ''A essência do que eles prometem é a mesma e está nessa tríade estabilidade x crescimento x melhor distribuição, mas não ouvi até agora explicações convincentes sobre como vão conseguir isso'', afirma Gianetti da Fonseca.


