Está sobrando dinheiro para crédito agrícola
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quarta-feira, 17 de maio de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
É a primeira vez em 10 anos que a disponibilidade de recursos no Banco do Brasil está atendendo à demanda dos produtores. Ao contrário de outros anos, que sempre faltava dinheiro para financiar o crédito rural a juros subsidiados, este ano o banco está até antecipando as operações do crédito de custeio para financiar a safra 2000/2001. No mês passado, a Superintendência do Banco do Brasil no Paraná já havia disponibilizado R$ 50 milhões para operações antecipadas de crédito de custeio, mas não houve demanda suficiente por parte dos produtores rurais.
A antecipação desse valor representa menos de 10% do valor que se estima para o custeio da safra este ano que será de R$ 700 milhões. Ocorre que este ano os produtores colheram uma boa safra, os preços estão bons e eles pagaram o banco no período recomendado, justificou Gueitiro Matsuo Genso, gerente de Agronegócios do Banco do Brasil. Daí a sobra que proporcionou ao banco retornar o crédito mais cedo, acrescentou.
Este mês o BB está disponibilizando novamente o mesmo valor e avisa que se houver demanda, poderá conseguir mais recursos para atender os produtores interessados em antecipar a compra de insumos para a safra de verão. A medida está surpreendendo os produtores. Essa folga financeira é reflexo da redução do depósito compulsório determinada pelo Banco Central, sobre os depósitos à vista, justificou Genso. Com a redução, o Banco Central passou a reter 55% dos depósitos à vista, liberando mais recursos para a economia.
Ocorre que as taxas de juros estão baixas e os correntistas não estão se preocupando em correr atrás dos investimentos por poucos dias, preferindo deixar o dinheiro nos depósitos à vista. É claro que essa liquidez não está sendo direcionada para o crédito rural, mas como a resolução da exigibilidade bancária prevê que 25% sobre os depósitos à vista sejam aplicados no crédito rural, está havendo uma sobrinha a mais, afirmou Genso.
A antecipação de crédito implica num juro maior que os 8,75% fixados para o ano-safra, a partir de agosto quando tradicionalmente o produtor vai ao banco em busca de recursos. Com a antecipação de dois meses, maio e junho, o produtor paga um adicional de 1,4636%.
Genso afirma que esse percentual é pouco se for considerado que os preços dos insumos ficam entre 10% e 15% mais caros no período de concentração de demanda. Genso informa que com o dinheiro agora, o produtor pode comprar principalmente defensivos e fertilizantes, que são os produtos mais caros para o custeio da safra e pode deixar para comprar depois as sementes.
O BB avisa que o produtor poderá pleitear novos recurssos para a continuidade das atividades, optando pela utilização dos diferentes mecanismos disponíveis: CPR Física, CPR Financeira, Mercado Futuro ou custeio normal, desde que ainda tenha margem nos textos fixados pelo Banco Central.


