Bolsonaro citou a Grécia, que segundo ele teria adotado um fator previdenciário médio de 30%, como exemplo que não pretende seguir
Bolsonaro citou a Grécia, que segundo ele teria adotado um fator previdenciário médio de 30%, como exemplo que não pretende seguir | Foto: Evaristo Sá/AFP



Rio - Em transmissão ao vivo de 40 minutos no Facebook em sua casa na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), que toma posse em janeiro, disse nesta sexta-feira (9) ter recebido projetos de reforma da Previdência do atual governo e de parlamentares, em Brasília, mas que "pouca coisa pode ser aproveitada para o ano que vem".

Bolsonaro demonstrou preocupação especialmente com o gasto público com aposentadorias. "Nós queremos uma reforma da Previdência, mas não podemos começar com a Previdência pública normal que está aí, dos trabalhadores da iniciativa privada, que desconta os 11% do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Não é por aí. Tem coisa errada. Tem que se rever alguma coisa. Mas a pública é a mais deficitária", afirmou.

Ele ainda citou a Grécia, que, segundo o presidente eleito, teria adotado um fator previdenciário médio de 30%, como exemplo que não pretende seguir. "O Brasil está chegando a um limite na questão orçamentária, que quase tudo é despesa obrigatória. A questão previdenciária, a despesa tem subido assustadoramente. Não queremos nos transformar no que foi há pouco tempo a Grécia. Agora, todos têm que entender que está complicada a questão da Previdência", disse.

O economista Paulo Tafner, um dos autores de proposta de reforma da Previdência entregue ao novo governo, defende que o presidente eleito use seu empenho para aprovar uma única reforma para mudar o sistema previdenciário. Não faz sentido, disse ele durante evento no Insper, buscar aprovar parte do texto que está atualmente no Congresso e depois tentar fazer mais mudanças pela frente.

Na avaliação de Tafner, faria sentido aprovar o texto atual se o novo governo avaliar que não tem chances de avançar nas medidas para a Previdência. "Se não conseguir avançar em nada, é melhor aprovar a reforma que está aí", disse ele.

A proposta de Temer, observa Tafner, já foi desidratada em seu caminho pelo Congresso e a economia fiscal em dez anos se reduziu de R$ 800 bilhões para R$ 480 bilhões. A proposta escrita por ele e outros, como o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, traz economia fiscal de R$ 1,3 trilhão em dez anos.

Bolsonaro já declarou que quer tentar aprovar ao menos parte do texto que está no Congresso.

DIREITOS TRABALHISTAS
O presidente eleito também falou pelo Facebook sobre direitos trabalhistas. Ele afirmou que para destravar a economia será preciso optar pela redução desses direitos. "O que queremos é destravar a economia. Esse é o caminho. Os empresários têm dito para mim que nós temos que decidir: ou todos os direitos e desemprego ou menos direitos e emprego", afirmou.

Bolsonaro disse ainda que "o Brasil é um País dos direitos", todos previstos na Constituição, e que não vai "tirar" esses direitos

Em seguida, porém, acrescentou que está ouvindo o setor produtivo e que, para gerar vagas de trabalho, precisará atender à demanda dos empresários.

Disse ainda confiar na equipe econômica que está formando, sob a liderança do economista Paulo Guedes, com quem se reuniu nesta sexta-feira e que possui "carta branca" para trabalhar. "O Paulo Guedes deixou bem claro que quer abrir o mercado, mas que, para isso, tem que diminuir os impostos, senão quebra os empresários brasileiros. Eu confio nele", acrescentou.

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