Esperanças se renovam na Argentina
Buenos AiresRicardo Lavagna foi empossado na manhã de ontem como novo ministro de Economia da Argentina, em substituição a Jorge Remes Lenicov. Lavagna, de 60 anos, deixou seu cargo na embaixada argentina ante a União Européia e órgãos econômicos mundiais que ocupou nos últimos dois anos.
Antes do ato de posse, presidente Eduardo Duhalde disse estar esperançoso de que as expectativas geradas pela troca de altos funcionários se transforme em confiança. Na próxima segunda ou terça-feira, o novo titular do Palácio da Fazenda pode anunciar seu programa econômico.
Plano alternativoUm grupo de economistas da UBA (Universidade de Buenos Aires) preparou um plano econômico alternativo em que defende que a Argentina pode prescindir da ajuda do FMI (Fundo Monetário Internacional). Na opinião do grupo, liderado por Aldo Ferrer, ex-ministro da Economia (1970-1971), e por Eduardo Conesa, professor de macroeconomia, o governo não deve submeter sua política a um acordo prévio com o FMI.
Primeiro precisamos colocar em funcionamento a economia, estimular a produção. Só então contatar o FMI, para começar a solucionar essa malfadada situação da moratória (dos credores externos), disse Ferrer.
Oficialmente, o país pretendia obter do FMI pelo menos US$ 22 bilhões, com novos empréstimos e retomada de linhas de crédito. Hoje, mesmo que haja empréstimo, serviria apenas para o país honrar compromissos com o próprio Fundo. Apresentado a lideranças do Partido Justicialista (de Duhalde), o plano Fênix prevê que o governo obrigue os bancos estrangeiros a trazerem de suas matrizes recursos para devolver os depósitos retidos no curralzinho.
No caso dos bancos oficiais, caberia ao BC financiar a devolução por meio de emissão de moeda. Essa alternativa pode significar o risco de uma hiperinflação. Inflação já temos e no pior cenário possível: de inflação e depressão econômica, diz Ferrer.
O grupo também difere da receita indicada pelo Fundo no aspecto do equilíbrio do orçamento. O déficit fiscal argentino não se resolve com corte de gastos. Hoje, ele é resultado da queda de arrecadação e essa é uma situação que precisa ser contornada com retomada do consumo, completa.





