Espera por passagens de volta demora 4 meses
Laurindo Kodaka é proprietário de uma empresa que agencia empregos no Japão, nem mesmo esta condição garantiu a vaga de familiares. Sua filha, o genro e uma irmã estão entre os demitidos do mês de novembro, e estão tentando comprar passagem de volta para o Brasil. Porém, a demanda de brasileiros querendo retornar é grande, fato que tem gerado uma fila de espera que dura até quatro meses. ''Parece que até março não tem passagem por causa da crise. Por isso, têm gente fazendo outros caminhos como escalas pela África, porque não acham lugares em vôos dos trajetos convencionais'', conta.
Esse foi o caso de Patrícia Kitahara que foi demitida há seis meses. Nesta época já estava difícil conseguir trabalho e por isso resolveu voltar. Em busca de uma passagem porque está grávida, decidiu ganhar seu filho na sua terra natal. Desde setembro tentando, conseguiu um lugar em um vôo no dia 25 de dezembro e não pretende retornar por causa da recessão. ''A fábrica do setor de componentes onde meu marido trabalha reduziu os salários. Antes pagavam 1.200 ienes por hora e agora caiu para 700. Está bem abaixo dos padrões de lá'', compara.
Como consequência, a procura por empregos também está restrita e por isso desde novembro o Consulado nega pedidos de vistos sem justificativas prévias. Eles não confirmam que os motivos são a crise e o desemprego, mas Kodaka acredita que tudo está interligado. Desde fevereiro ele não recebe vagas e encaixar os brasileiros em indústrias no Japão tornou-se uma tarefa complexa. ''Há quase um ano eu já estava com esses problemas e cerca de 90% do meu negócio foi lesado'', reclama.
Antes dos rumores da recessão, as agências não conseguiam suprir a demanda. Por isso, começaram a recrutar pessoas de outros países como China e Coréia. A diferença é que os asiáticos trabalham apenas pela comida e moradia, diferente dos brasileiros que ''vão fazer a Ásia'', tanto quanto seus ancestrais ''vieram fazer a América''. ''Por isso, quem acaba perdendo o emprego primeiro são os dekasseguis porque custam mais caro para as indústrias'', ressalta.
Na opinião de Kyioharu Miike, presidente da Associação Brasileira de Dekasseguis (ABD), a questão da falta de passagens foge a alçada das instituições ligadas ao governo e consulado. ''Se as empresas aéreas não estão colocando mais voos é porque envolve uma questão comercial. Afinal, se existe uma demanda quem tem visão comercial não deixa de atender porque senão vai perder dinheiro'', conclui.(R.O.)





