O desempregado já gasta nove meses, em média, procurando uma ocupação na Grande São Paulo, segundo dados da pesquisa do Convênio Dieese-Seade. Apesar de um recuo quase insignificante de 0,1 ponto porcentual na taxa de desemprego em julho, o tempo médio de procura por emprego voltou a crescer. Há 10 anos, gastava-se 15 semanas procurando colocação no mercado. No ano passado, 28 semanas. Em junho, 34 semanas. O último dado indica 36 semanas de procura, um recorde de toda a série.
A explicação é que a taxa de desemprego manteve-se estável em julho, com ligeiro declínio, mas não houve melhora da oferta de trabalho no mês. Ao contrário, no total houve fechamento de 3 mil postos. A taxa recuou de 19% em junho para 18,9% em julho não por conta de aumento da atividade, mas sim de uma redução no número de pessoas procurando por trabalho, ou seja, houve encolhimento da população economicamente ativa (PEA). A PEA em julho foi de 8,731 milhões de pessoas. Dessas, 1,65 milhão estavam desempregadas.
A indústria eliminou 15 mil postos no mês. O comércio manteve seu quadro estável. O setor de serviços criou 55 mil novas ocupações, mas outros setores (basicamente construção civil e serviços domésticos) fecharam 43 mil ocupações. O resultado final foi prejuízo para a oferta de emprego.
A reação dos setor de serviços foi positiva, mas merece análise mais detida, segundo o diretor técnico do Dieese, Sérgio Mendonça. O nível de emprego cresceu 6% entre crianças de 10 a 14 anos, péssima notícia para um País que está combatendo o trabalho infantil. Cresceu ainda 3% entre adolescentes (15 a 17 anos) e 12% entre pessoas sem experiência anterior de trabalho.
Segundo Mendonça, são postos em geral desqualificados e precários, no setor de serviços. Tanto assim que para trabalhadores experientes houve, de novo, retração do mercado.

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