São Paulo - A especulação é o principal combustível para a recente alta nos preços do petróleo, diferentemente do que ocorreu durante os choques dos anos 70, acreditam economistas. É fato que o crescimento no consumo da China afeta as cotações, mas ainda não houve nenhuma alteração concreta na relação entre demanda e oferta, afirmam.
''Mais do que uma situação real do mercado, trata-se de uma ação de especuladores antecipando uma escassez de petróleo'', disse à reportagem o alemão Alexander Wöstmann, presidente da consultoria Alexander's Gas & Oil Connections.
Segundo Wöstmann, baseando-se puramente na situação de oferta e demanda, a cotação deveria estar em US$ 30. ''O preço acaba de superar os US$ 40 por barril por causa da especulação'', diz o consultor.
Segundo ele, um número cada vez maior de fundos de investimento, com volumes obscenos de dinheiro, estão apostando na alta do petróleo, usando ''o medo de uma possível escassez e de atentados terroristas'' como motivos para empurrar os preços para cima.
Em fevereiro, a Opep havia anunciado um corte da produção a partir de abril, temendo que haveria uma situação de excesso de demanda, e os fundos de investimento iriam especular com cotações em queda.
Ocorreu justamente o contrário - os preços dispararam. Mas ainda não se vê muita reclamação, Especuladores ajustaram suas posições e estão ganhando, as indústrias petrolífera comemoram os lucros, assim como os países exportadores de petróleo. Já os países importadores de petróleo e os cidadãos comuns, que precisam arcar com a gasolina mais cara, não estão nada felizes. (P.C.M/AE)

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