Termina uma semana de sufoco para quem ainda tem soja para vender no mercado físico. Com o dólar comportado e o fim da estiagem no meio-oeste americano, a Bolsa de Chicago fechou em baixas sucessivas. Nem do relatório do Usda no início da semana, otimita com relação às exportações dos EUA, foi suficiente para contrapor a baixa ‘‘técnica’’, conforme definição dos operadores de mercado.
Além das especulações habituais do mercado, as informações sobre o clima no meio-este foram muito contraditórias, distorcendo o comportamento natural da Chicago Board of Trade (CBOT). A falta de confirmação de previsões de institutos credenciados - feitas longe do ambiente de Bolsa - permitiu que o mercado colocasse em dúvida a eficácia da metodologia de previsão do tempo.
Como consequência da confusão no mercado internacional, balizado pela Bolsa de Chicago, os preços cederam muito no mercado interno, tendo como referência os preços praticados no Porto de Paranaguá, Ponta Grossa e Cascavel, no Paraná; Rio Verde, em Goiás; Uberlândia em Minas Gerais, e Rio Grande e Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. Na quinta-feira, houve queda de 15 pontos nos contratos futuros da CBOT.
Analistas das empresas de consultoria confirmaram as consequências de um ‘‘pregão difuso’’. A FNP Consultoria e Mercado, de São Paulo, disse que os preços no mercado futuro da soja sofreram fortes quedas, em decorrência de chuvas e previsões climáticas, já não tão ‘‘ameaçadoras’’ ao desenvolvimento das lavouras de soja nos EUA.
‘‘No mercado interno, a semana foi marcada por grandes oscilações de preços’’, disse ontem o analista Adriano José Timossi. Diante dessas oscilações - disse -, o produtor permaneceu pouco ativo, no aguardo de uma possível alta, que não ocorreu, jogando para frente suas expectativas de bons preços para o grão.
Em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, os preços da soja ontem tiveram uma forte redução de 7,5%, quando comparados, refletindo o ambiente baixista da CBOT, mostraram pouco interesse. No acumulado da semana os preços na região recuaram 8,2%.
Na opinião de Timossi, a grande discussão no momento é até que ponto podemos aceitar estas previsões como verdadeiras, ou ainda, como estão as lavouras dos EUA em comparação ao ano anterior? - pergunta.
Deixando de lado o vaivém de previsões climáticas, uma coisa é certa para o técnico: segundo relatórios do Usda, as lavouras de soja nos Estados Unidos apresentam um quadro de desenvolvimento inferior ao verificado no mesmo período da safra anterior.
Desta forma, segundo ele, não podemos descartar as especulações de novas altas no mercado da CBOT para a próxima semana. Ele sugere: diante deste cenário, devemos continuar atentos ao mercado do clima nos EUA, buscando aproveitar eventuais picos de preços e ir formando preços médios de vendas.
Milho Nas principais regiões pesquisadas pela FNP, a comercialização de milho nesta sexta-feira se mostrou estável. De maneira geral, os produtores permanecem sem interesse de venda. A julgar pela FNP, a queda-de-brações entre os segmentos da produção e industrialização, é mais nítido no Triângulo Mineiro, mas ocorre ‘‘em boa parte do país’’, segundo Adriano Timossi. ‘‘Os produtores de milho, travaram uma briga de preços com os compradores, em decorrência dos baixos preços ofertados. Esta resistência já preocupa, tanto agroindústrias de carne, como as indústrias de milho que temem uma possível escassez do grão para o período de janeiro a fevereiro do próximo ano, caso sejam confirmadas as estimativas de redução na área a ser plantada com milho na safra 2001/2002, que chegam a 20%, segundo especulações do mercado’’.
Para a próxima semana acredita-se que, devido à necessidade de compra por parte dos consumidores - tanto para recompor seus estoques, como para o consumo diário -, os vendedores cedam um pouco à pressão dos produtores, e estes consigam melhores preços.

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