Especialistas não acreditam em grandes vendas no ano que vem
No mercado financeiro domina o ceticismo em relação a um novo ciclo de venda das estatais. Privatizações de menor porte, como os bancos e distribuidoras de energia elétrica estaduais (a maior parte federalizada), algumas poucas empresas de saneamento e ativos considerados problemáticos (Banespa, por exemplo), são mais fáceis de vender. Privatizações de grande porte, nem pensar. O máximo que o governo deve fazer para as grandes privatizações é criar condições para o próximo governo decidir vender ou não, avalia o economista do Chase Manhattan, Luís Fernando Lopes.
Além do desgaste político, o mercado tem como base do ceticismo complexos problemas regulatórios, particularmente na área de geração de eletricidade e da outorga de concessões no setor de saneamento básico. Eu diria que as chances do governo retomar as grandes privatizações do setor elétrico no ano que vem são de no máximo de 20%, estima o especialista em privatizações da Trevisan Consultoria, Luiz Nelson Araújo, para quem as vendas de estatais do setor ficarão restritas às distribuidoras estaduais federalizadas.
No caso das grandes empresas geradoras de energia federais e das empresas de saneamento, porém, Sérgio Abranches observa que, antes da venda, será preciso um trabalho intenso para definir a regulamentação das águas. No caso da energia, é preciso regular o uso das águas das barragens. Especificamente com relação à Chesf, a privatização também dependerá da definição sobre a transposição do Rio São Francisco.
Quanto ao saneamento, o impasse está na titularidade das bacias fluviais, disputada entre Estados e municípios e, também, entre municípios vizinhos. Abranches espera que a ausência de eleições em 2001 facilite ao governo encaminhar medidas mais polêmicas ao Congresso, já que a base aliada, passada a disputa pelas presidências do Congresso, poderia trabalhar sem tanto medo de desgaste. Se a regulamentação das águas passar no primeiro semestre, a venda das geradoras de energia poderia começar no segundo semestre.
Para os empresários, simplesmente não faria sentido o governo abandonar um programa no caso da energia elétrica que tem cabeça, tronco e membros, como explica o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Base (Abdib), José Augusto Marques. Ele ressalta que a venda das grandes geradoras federais tem uma importância que extrapola a necessidade de recursos ou as discussões políticas: a necessidade de expansão do parque gerador, onde o governo não tem capacidade de realizar os investimentos necessários.





