Nos últimos três meses de 2004, a economia brasileira começou a desacelerar e registrou pequeno crescimento de 0,4% em relação ao terceiro trimestre. A taxa de investimento caiu 3,9%. Coube ao setor agropecuário o melhor desempenho, com expansão de 2% em relação ao terceiro trimestre. Já a indústria e os serviços cresceram apenas 0,5%.
Apesar da perspectiva de crescimento em 2005, analistas são unânimes em afirmar que a economia não deverá repetir o resultado do ano passado. As previsões para o PIB entre os economistas ouvidos variam de 3,4% a 4,2%.
O cenário econômico de 2005 reserva características bastante diferenciadas das do ano passado. Na indústria, a expectativa é de que o setor de bens não-duráveis, como roupas e alimentos, passe a liderar a expansão. Isto porque existe um ciclo no endividamento das famílias.
No ano passado, muitas pessoas assumiram compras a prazo e se endividaram para adquirir bens duráveis (como carros e eletrodomésticos), de maior valor aquisitivo. Com o aumento dos juros e o fim do ciclo de crédito, o consumidor passa a dar preferência a itens de menor custo, mais dependentes da renda do que do crédito. Para 2005, analistas apostam no crescimento da massa salarial como fator de expansão a incentivar o consumo.
O ciclo de aumento dos juros iniciado em setembro do ano passado também deve interferir nos investimentos de empresários e nas decisões de compras do consumidor. ''O aumento dos juros tem efeito sobre a demanda e sobre a produção e pode significar uma perda de fôlego'', disse Estêvão Kopschitz, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O economista do Ipea destaca ainda que o aumento dos gargalos na produção com o maior uso da capacidade instalada para atender a demanda em 2004 vão exigir novos investimentos dos empresários, o que requer tempo para realização. 'Isso se dá de forma mais lenta, investimento tem prazo para se concretizar', disse.
Além disso, o fator propulsor da economia em 2004 pode sofrer impacto: as exportações. Com a valorização do real, os produtos brasileiros tornam-se menos competitivos. E o dólar acumula queda pelo nono mês consecutivo. ''Os ajustes da política monetária e a perspectiva de exportações menores com a apreciação do real devem garantir a desaceleração'', afirmou o analista da Fator Doria Atherino, Vladimir Caramaschi.
Segundo a economista-chefe do BES Investimento, Sandra Utsumi, no entanto, o crescimento de potências como Estados Unidos e Japão acima das expectativas dará novo fôlego para as exportações brasileiras. A economista reconhece, no entanto, que se a taxa de câmbio se mantiver nesse patamar por um período prolongado pode haver deterioração no quadro de exportações. (J.L.)

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