A explosão de focos de febre aftosa no rebanho bovino da Europa, cuja pecuária já vinha abalada pela doença da vaca louca, abre oportunidades para o Brasil exportar mais carne para a Europa. O Brasil fica numa posição mais confortável ainda com a proibição da Argentina em exportar para a Europa, depois da comprovação de novos focos de febre aftosa naquele país.
Mas essa abertura não será imediata, concordam os principais agentes de mercado. Primeiro é preciso conquistar o consumidor europeu que está reduzindo drasticamente o consumo de carne vermelha em decorrência de todas essas doenças que tiraram a confiança no produto, afirmou o consultor da FNP Consultoria, José Stamato Neto. O assessor econômico do Sindicato da Indústria da Carne do Paraná (Sindicarnes) , Gustavo Fanaya, disse que aumentar as exportações ‘‘é tudo o que as indústrias brasileiras querem’’. Mas adverte que é preciso de realismo para encarar a situação.
Para Stamato, essa conquista não será fácil. ‘‘O Brasil precisa se preparar para a guerra comercial que vem por aí, porque os pecuaristas europeus não vão aceitar perder mercado de graça’’, alertou. Fanaya argumenta que os pecuaristas europeus não querem perder o acesso a um volume de subsídios da ordem de mais US$ 100 bilhões por ano e vão fazer ‘‘o diabo’’ para manter o mercado.
O consultor da FNP acredita que as exportações brasileiras poderão entrar num ritmo crescente ainda esse ano, porque o Brasil tende a aumentar as vendas para os países do Oriente Médio, que eram clientes da Europa e agora estão com medo de comprar a carne européia. Ele aponta que as exportações já iniciaram esse ano com tendência de crescimento. Em janeiro foram exportadas 47.943 toneladas de carne, quase 20% acima das vendas registradas em janeiro do ano passado, quando foram embarcadas 39.724 toneladas de carne.
Para o médico veterinário da Secretaria da Agricultura, Adélio Borges, o Brasil deve sair beneficiado desse episódio à medida que os países da União Européia terão que mudar o sistema de criação de bovinos. Como eles recebiam pesados subsídios para produzir, intensificou-se o sistema de criação em confinamento.

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