Curitiba Especialistas em estudos de transgenia e de mercado internacional saíram esta semana em defesa do direito dos agricultores brasileiros em escolher o tipo de semente que pretende plantar. Eles são contra as idéias de grupos ambientalistas, como o Greenpeace, de abrir mercados livres de transgênicos em Estados e áreas brasileiras.
''Deve-se garantir ao agricultor e às organizações que atuam no setor, o direito de explorar oportunidades que porventura surjam para exportar produtos não-transgênicos e o direito à preservação da identidade de seu produto. Todavia, o inverso também é válido, uma vez que, para muitos agricultores, o uso de variedades geneticamente modificadas mostrou-se vantajoso do ponto de vista econômico e do planejamento da produção agrícola. Proibir que o Brasil participe desse processo, mesmo tendo competência para tal, é um risco muito grande'', afirmou o engenheiro agrônomo José Maria Ferreira Jardim da Silveira, professor do Instituto de Economia Aplicada da Universidade de Campinas (Unicamp).
O professor Aluizio Borém, diretor de Comunicação e integrante do Comitê Técnico-Científico e de Meio Ambiente da Pró-Terra (Associação Brasileira de Tecnologia, Meio Ambiente e Agronegócios), concorda. De acordo com ele, o agricultor só irá optar pela transgenia se a técnica for vantajosa. ''Se essas variedades não derem lucro em nenhum momento, o agricultor poderá produzir os convencionais. Temos que dar direito de escolha para o produtor. Pode ter certeza, muitos vão optar pelas variedades convencionais. Eu mesmo, se não tivesse problema de erva daninha na minha plantação de soja, optaria pela convencional. Mas a soja transgênica é mais limpa e evita o uso de herbicidas. É ecologicamente mais correta'', complementou Borém.
Os dois especialistas negam que a União Européia (UE) esteja fechada para os produtos transgênicos, como afirma o Greenpeace em reportagem veiculada pela Folha na terça-feira passada. Segundo eles, a única restrição aconteceria em países nórdicos como Suíça, Holanda e Finlândia. ''A União Européia é, por si só, um grupo restritivo. Mas os países estão fazendo o que chamamos de aviso prévio e estão usando transgênicos'', comentou Silveira.
Nem mesmo a China teria restrição no mercado de transgênicos, de acordo com os especialistas. O país teria aumentado em 32% a área plantada com algodão em 2004 e teria sido um dos pioneiros em pesquisas na adoção comercial da transgenia.''A China solicita apenas identificação do produto como convencional e, se transgênico, certificação de segurança do órgão regulador do país de origem. Isso não é restrição'', pontuou o professor da Unicamp. Borém lembrou que, no caso do Paraná, existem muitos problemas de resistência de plantas daninhas aos herbicidas usados na cultura da soja. ''Eu não gostaria de ter meu Estado (Minas Gerais) na mesma situação do que o Paraná, que combate ideologicamente a soja transgênica. Estou preocupado com a economia e o meio ambiente'', disse ele.
Silveira sugere que o Paraná não se isole economicamente do Brasil, mas estabeleça áreas de plantação de soja convencional para dar garantias ao mercado internacional de que a semente usada não é transgênica. ''Fechar um Estado inteiro é ficção. A estratégia é inviável e juridicamente isso é ruim, já que uma lei federal é mais forte do que decretos estaduais'', ponderou o professor.

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