Especialistas defendem corte dos gastos do governo
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sábado, 18 de setembro de 2004
Agência Estado 
São Paulo- Para combater a inflação, aperto fiscal escondido não vai adiantar. A elevação do superávit primário não será uma arma tão eficiente se não for anunciada em alto e bom tom, alertam economistas. Mais do que desacelerar a atividade, o corte dos gastos do governo tem um efeito muito rápido sobre as expectativas.Segundo analistas, a elevação do superávit ajudaria a reduzir o risco Brasil que, por sua vez, abriria espaço para juros reais mais baixos. Mas só se for anunciado.
''Aperto fiscal envergonhado é o caminho mais difícil porque não tem efeito sobre as expectativas'', diz Mário Mesquita, economista-chefe do Banco ABN Amro. ''Os integrantes do governo precisam chegar a um acordo e anunciar explicitamente o aumento do superávit.'' A via fiscal acabou surgindo como opção menos dolorosa a um novo aperto monetário para combater a inflação. Em vez de continuar elevando a taxa básica de juros, o governo poderia aumentar o superávit primário.
O corte dos gastos do governo reduz a demanda por bens e serviços e, portanto, diminui a atividade econômica, reprimindo a inflação. Mas esse resultado não é imediato. O resultado sobre as expectativas é mais rápido. Com a elevação do superávit primário devidamente anunciada, o governo teria uma política mais eficiente.
A desvantagem da alta dos juros é que age diretamente sobre o custo do capital atinge em cheio o setor produtivo. Além do efeito sobre o custo da dívida pública: toda vez que o BC eleva a Selic, a dívida pública (atrelada em grande parte à Selic), explode.


