Especialistas defendem ajustes no programa
Curitiba - Especialistas consultados pela Folha têm opiniões convergentes sobre o futuro do programa. O professor do curso de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Alexandre Alves Porsse, não acredita que o governo vá acabar com o programa, mas prevê que será necessária alguma adequação.
Para ele, a crise financeira que o Estado enfrenta é uma parte estrutural e outra conjuntural. Também está relacionada com a desaceleração econômica. No entanto, ele acredita que se o governo "tivesse planejamento passaria com mais tranquilidade por este momento". Porsse diz ainda que a "política de gastos do governo foi muito frouxa no primeiro mandato (2011-2014)" e não houve planejamento de médio prazo.
Porsse acredita estar no Paraná Competitivo alguma margem para fazer ajustes. "Pode ser que diminua a demanda pelo programa em função do cenário econômico." Ele alerta que o quadro fiscal do Estado hoje é bastante crítico. "Foram feitos muitos gastos no governo contando com uma receita que não veio por conta da desaceleração econômica do país", afirma.
Para o coordenador do curso de Ciências Econômicas da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Carlos Magno Bittencourt, diante da situação que se enfrenta hoje, o Paraná Competitivo tem sido positivo em atração de empregos. Ele acredita que o programa seja fortalecido para gerar renda, emprego e tributos. "Acredito que o governo não vai mexer no programa. Temos guerra fiscal no Brasil. Se o Estado não tiver diferencial, não consegue atrair investimentos", destaca. Ele afirma que o governo terá que continuar com políticas de atração de investimentos para ter renda e emprego.
O presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki, também concorda que, em um contexto de guerra fiscal, o programa é necessário. "Há falta de consenso no Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária) sobre guerra fiscal. Se não tiver o programa de incentivo, o Estado não recebe investimentos", diz.
Na avaliação do economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, o Paraná Competitivo é um incentivo que os empresários veem com bons olhos. Ele destaca que, nos últimos quatro anos, o programa trouxe investimentos em valores muito grandes.
Ele acredita que o governo deve manter o programa. "Qualquer novo empreendimento gera novo ICMS para o Estado", destaca. No entanto, defende que é preciso aprimorar alguns aspectos como a qualificação dos trabalhadores, oferecer energia elétrica mais barata e de qualidade e desenvolver a infraestrutura de transportes para trazer novos investimentos para o Paraná. (A.B.)





