Especialistas debatem hotelaria
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segunda-feira, 13 de outubro de 2003
Beth Moreira<br> Agência Estado 
São Paulo - Mais de 70 especialistas de 10 países estão reunidos em São Paulo desde ontem, no 7º Seminário de Investimentos em Hotéis & Resorts, que discute, entre outros temas, os atrativos do Brasil para novos aportes no setor.
Terceiro maior seminário de investimentos hoteleiros do mundo, o encontro tem 14 painéis-temas, como os entraves para o crescimento do turismo no Brasil, as opções de investimento no País, o futuro dos resorts, o crescimento de hotéis e resorts temáticos, a falta de legislação dos condomínios hoteleiros e os critérios para a troca de bandeiras e operadoras.
O consultor e presidente da BSH International, José Ernesto Marino Neto, um dos organizadores do evento, explica que após receber investimentos da ordem de US$ 6 bilhões, entre 1998 e 2002, a hotelaria no Brasil teve seu perfil radicalmente transformado.
''As redes nacionais e estrangeiras passaram a administrar a maior parte dos hotéis das principais cidades do País, imprimindo padrões internacionais nas áreas de gestão, marketing, vendas, finanças e recursos humanos'', ressalta.
O executivo, que também é professor da pós-graduação de Turismo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) e membro do Conselho Consultivo da Universidade de Nova York, explica que com o acirramento da concorrência nas grandes cidades e a estagnação econômica, o setor explora agora nichos de mercado para continuar sua expansão, como os pólos urbanos do interior do País, os hotéis econômicos em capitais como Rio de Janeiro, os ecoresorts no Pantanal e na Amazônia e os resorts em praias do Nordeste.
Marino Neto lembra que até 2006 o governo federal pretende atrair 9 milhões de estrangeiros ao Brasil, gerar 1,2 milhão de empregos no setor de turismo e aumentar os embarques domésticos de 40 milhões para 65 milhões. ''A meta, que foi anunciada em maio pelo ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, coloca um enorme desafio não só para o governo federal, mas para a própria indústria nacional do turismo que hoje vive um período de profissionalização.''
Os entraves para o crescimento da hotelaria nacional são um dos principas temas abordados no seminário. Entre os gargalos levantados está a deficiente formação da mão-de-obra de médio e alto escalão, o que acarreta queda de qualidade dos serviços hoteleiros.
Na opinião de Marino Neto, a falta de serviços diferenciados provoca uma série de distorções no mercado. Entre elas, destacam-se as diárias dos hotéis cinco estrelas em São Paulo, que chegam a superar em até três vezes os de quatro estrelas. ''Fora do Brasil, esta diferença não passa de 40%. Mas como aqui apenas os hotéis cinco estrelas conseguem manter alto padrão de qualidade, surgem discrepâncias deste tipo'', explica.


