Especialistas debatem a globalização
Encontro expõe em Curitiba as estratégias de empresas como IBM, Xerox e Electrolux em busca do mercado mundial
Luis Lomba

Marcelo Almeida



Nova ordemNizan Guanaes (acima) diz que o mundo deve ser visto como ‘‘um mar de oportunidades com muitas perspectivas’’. Carlos Augusto Salles (foto de baixo) tem outra filosofia: ‘‘É preciso pensar globalmente e atuar localmente’’

‘‘O mundo não deve ser visto como inimigo, pois é um mar de oportunidades com novas perspectivas, mercados e financiamentos’’. A dica é do publicitário Nizan Guanaes e foi dada ontem durante seminário para discutir a globalização da economia, promovido pelo Instituto Brasileiro de Executivos Financeiros (Ibef) em Curitiba. O encontro expôs as estratégias de globalização da IBM, da Xerox e da Electrolux.
Em sua palestra, Carlos Augusto Salles, presidente da Xerox do Brasil, relatou as iniciativas da empresa a partir da reestruturação iniciada em 1993. Ele desaconselha qualquer tentativa de globalizar a gestão das empresas multinacionais. ‘‘Nossa empresa não é a Xerox do Brasil, mas o Brasil na Xerox Corporation. Nos apoiamos na estrutura de uma multinacional, mas trabalhamos como uma empresa brasileira’’, disse.
‘‘Quem implementa as mudanças são pessoas e a gestão de pessoas não pode ser globalizada. Esta é a nossa posição na Xerox’’, afirmou. Salles recomenda às empresas pensar globalmente e atuar localmente, buscando o mercado mundial mas mantendo um pé firme no mercado local. ‘‘A simples decisão de um governo estrangeiro, elevando taxas de importação, pode cortar as exportações de uma hora para outra. Se você não estiver firme no mercado local, pode perder tudo’’, alertou.
O presidente da Xerox fez algumas advertências aos mais empolgados com as perspectivas de a globalização criar um verdadeiro livre mercado global. Ele contou que um jantar do presidente da Xerox Corp. com a representante comercial norte-americana (cargo com status de ministro de Estado), Charlene Barshefsky, ‘azedou’ quando o executivo contestou o discurso dela a favor da liberalização comercial sugerindo a mesma posição em relação às importações.
Segundo Salles, a Xerox Corp. tem grande interesse nas exportações da unidade brasileira do grupo para os EUA. Em 1996, a Xerox do Brasil contribuiu com 9% do faturamento global da holding. Considerando a contribuição da joint venture da Xerox com a Fuji para operar no Extremo Oriente, a participação brasileira no faturamento total cai para 6%.
Salles diz que o novo eslogam da Xerox (Document Company) reflete a mudança que a empresa vem vivendo há três anos, ampliando sua atuação das cópias de documentos para incluir a elaboração destes papéis. Ele explica que o objetivo da companhia é transformar os documentos em vantagem competitiva para seus clientes, disponibilizando as informações mais rapidamente.

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