Especialistas dão dicas para quem quer começar o ano poupando
Em um cenário de incertezas, segurar o consumo, evitar o endividamento e fazer uma reserva de emergência podem evitar apertos orçamentários
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de janeiro de 2021
Em um cenário de incertezas, segurar o consumo, evitar o endividamento e fazer uma reserva de emergência podem evitar apertos orçamentários
Simoni Saris - Grupo Folha 

Quem conseguiu chegar ao final de 2020 sem dívidas e com dinheiro sobrando e quer iniciar 2021 colocando em ordem a vida financeira pode começar a pensar em formas de aplicar esses recursos. Após um longo período marcado por incertezas em razão da crise sanitária do novo coronavírus, o cenário econômico que se desenha para o próximo ano não é muito animador e contar com uma reserva pode garantir tranquilidade em um momento de maior aperto.
As opções de investimentos variam tanto quanto os perfis dos investidores e a decisão depende do destino que se quer dar aos rendimentos, mas em todos os casos, a análise criteriosa das opções e o planejamento são fundamentais.
Antes de aplicar os recursos em fundos sugeridos por parentes e amigos ou optar pela caderneta de poupança apenas por medo de correr riscos, a recomendação dos especialistas é buscar informações confiáveis.
A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) pode ser um bom ponto de partida. A autarquia federal vinculada ao Ministério da Economia disponibiliza muito conteúdo nas redes sociais, mantém o blog Penso, logo invisto e em seu site oferece cursos on-line gratuitos, como matemática financeira e educação financeira para jovens.
“É um conteúdo educativo muito bom e sem conflito de interesses. Uma oportunidade de as pessoas aprenderem. A informação está disponível, mas tem muita informação ruim. Tem que ir em boas fontes”, orientou Gabriel Vansolini, sócio-fundador e assessor de Investimentos da Bravus Investimentos, escritório credenciado pela XP Investimentos em Londrina.
Vansolini destaca que não existe uma fórmula pronta quando se quer investir. Se o objetivo é criar um fundo de reserva para emergências, a escolha deve ser feita entre as opções que permitem que os recursos estejam sempre disponíveis, embora nem sempre tragam melhor rentabilidade. Nesse caso, as alternativas são os fundos CDI, que replicam a taxa básica de juros, a Selic.
O investidor só precisa ficar atento com as taxas de administração cobradas por alguns bancos. “O investidor que precisa de liquidez abre mão da segurança ou da rentabilidade. Como na reserva de emergência ele não pode abrir mão da segurança, ele acaba abrindo mão da rentabilidade.”
O Tesouro Selic e os CDBs dos bancos com liquidez diária, acessíveis por meio de plataformas de investimento, também entram nessa lista porque remuneram integralmente a taxa de juros e são bons em termos de liquidez. “O CDB de liquidez diária tem a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), e são investimentos de renda fixa nos quais o risco é praticamente nulo”, explicou o economista e professor da Faculdade Pitágoras em Londrina, Elcio Cordeiro.
O economista indica ainda a LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e a LCA (Letra de Crédito do Agronegócio), que além da liquidez diária, têm a vantagem de também ter o FGC como garantidor. “É uma boa alternativa para quem quer guardar reserva de emergência, para dar início à parte do investimento.”
Se o poupador tiver uma vida financeira mais estável e a certeza de que os recursos não precisarão ser resgatados às pressas, Cordeiro indica o Tesouro IPCA+, que protege o dinheiro contra a inflação porque o governo garante uma determinada taxa de juros mais a inflação do período.
Os fundos imobiliários também seriam boas alternativas. “Precisa sempre observar que para ir avançando para esse tipo de investimento, é preciso entender como funciona esse mercado. O investidor precisa conhecer as aplicações que esse fundo faz. Se for em shoppings, por exemplo, com a pandemia e um possível fechamento, pode diminuir o dinheiro distribuído”, disse Cordeiro.
Uma outra opção seriam os Fundos Multimercados, com renda fixa e renda variável, com parte das aplicações em título público e parte em ações. “Sempre que vai aumentar o nível de investimento, é necessário conhecer a composição do fundo, saber como funciona”, ressaltou o economista.
Investir na B3, a Bolsa do Brasil, deve ser uma opção para quem já tem mais familiaridade com o mercado de investimentos. “Não recomendo ir direto. Começa primeiro com o Tesouro Selic, caminha para o IPCA+, LCI e LCA e a partir do momento que já tem esse conhecimento, parte para o mercado acionário. Tem que fazer essa trilha”, disse Cordeiro.
CENÁRIO FUTURO
O ano de 2021 se inicia com algumas incertezas decorrentes de questões ligadas à pandemia e à imunização contra o novo coronavírus. O andamento das reformas administrativa e tributária no Congresso também deve afetar o cenário econômico futuro. Tudo isso traz implicações ao mercado de investimentos no País.
Poupar neste momento, afirmou Vansolini, é muito importante. “A grande parcela da população renega isso. Acha que investir é para quem tem dinheiro, para quem já tem alguma coisa. Muitos jovens não poupam e isso é assustador porque têm muito tempo pela frente”, ressaltou. “Poupar tem que ser um hábito. A gente está em uma sociedade que estimula muito o consumo de coisas desnecessárias.”
O assessor de Investimentos destacou que o mercado mudou muito nos últimos cinco anos, tornando mais acessíveis as opções a quem quer começar a investir. “Tem títulos que com R$ 30 você investe. Tem fundo com mínimo de R$ 1, R$ 100. É só buscar nas plataformas de investimento. Quem quer começar a investir tem que se educar e saber que tem alternativas para o investidor que está começando. Nunca houve tantas alternativas e tanta informação.”
No ano que vem, disse Cordeiro, o governo federal deverá limitar a capacidade de ajuda econômica para não extrapolar os gastos da União. Auxílios emergenciais e benefícios aos trabalhadores deverão ser bem mais restritos do que em 2020.
Segurar os gastos com supérfluos, evitar o endividamento e poupar são as dicas para quem quer distância das preocupações financeiras em 2021. “Olhou para a frente e está nebuloso, segura o consumo e faz reserva de emergência para evitar buscar recursos em bancos ou fazer dívidas no cartão de crédito.”


