Técnicos em energia dizem que o 'Plano B' poderia ser evitado se governo tivesse sido mais eficiente
A adoção do plano B no Nordeste poderia ter sido evitada caso o governo tivesse gerenciado a crise de energia de maneira mais eficiente. Essa é a avaliação de especialistas ouvidos ontem pela reportagem.
Para o engenheiro James Correia, da Universidade de Salvador, o governo deveria ter mantido as propostas iniciais do plano de racionamento. Segundo a proposta apresentada por Correia e pelo diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo), David Zylbersztajn, o governo deveria pagar aos consumidores que economizassem mais que a meta um bônus com base no preço de mercado da energia, ou seja, o preço praticado no MAE (Mercado Atacadista de Energia).
''O governo não fez isso. Houve uma grande frustração da população com o valor do bônus e, assim, as pessoas e empresas não se empenharam tanto quanto poderiam em economizar'', avalia.
Um bônus mais alto, como o previsto na proposta inicial, diz Correia, incentivaria as empresas nordestinas a investir em geração, bancando o custo mais alto de gerar sua própria energia para conseguir embolsar o valor do bônus.
Ildo Sauer, do Instituto de Eletrotécnica da Universidade de São Paulo, lembra que dificilmente os consumidores residenciais do Nordeste conseguirão economizar mais. ''A média de consumo lá é muito baixa e é difícil diminuí-la ainda mais'', diz.
Sauer também avalia que o governo cometeu erros no gerenciamento da crise. ''Não houve incentivos à instalação de plantas de cogeração, por exemplo. Faltou assistência técnica, financiamento e engajamento do governo.''

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