Para o presidente da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), Luiz Montenegro, ''cabe o alerta''. ''Existe uma euforia na venda de veículos'', observa. Mas ele pondera que as condições atuais não configuram um cenário semelhante ao americano. Ele destaca que existem fatores macroeconômicos que sustentam esse mercado, como o crescimento do emprego e da renda.
''Estamos muito longe da crise do subprime'', afirma o presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Érico Sodré Quirino Ferreira. Ele diz que o consumidor americano tem um endividamento que supera a sua renda, o que não ocorre aqui. Prova disso que não houve aumento da inadimplência, apesar do alongamento dos prazos, observa. Os dados mais recentes do Banco Central (BC) mostram que o atraso acima de 90 dias no pagamento dos financiamentos de veículos encerrou setembro em 3,3% dos créditos a receber. Desde o começo do ano, esse indicador tem se mantido, a despeito do alongamento dos prazos. Em 12 meses até setembro, o recuo é de 0,2 ponto porcentual. Pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) aponta que, em outubro, o prazo médio, que estava em 42 meses, e o máximo, em 84 meses, foi alongado em 12 meses em relação ao mesmo período de 2006.
''Não acredito que os financiamentos de automóveis serão o nosso subprime'', afirma o vice-presidente da Anefac, Miguel Ribeiro de Oliveira. Ele argumenta que o volume de empréstimos para compra de veículos é muito baixo. O estoque dos empréstimos em setembro atingiu R$ 76,1 bilhões. Isso corresponde a 3% do produto Interno Bruto (PIB).
Apesar da pequena participação no PIB, nos últimos 12 meses o saldo cresceu 24% e quase 20% só este ano. Mesmo assim, destaca Ribeiro de Oliveira, a inadimplência até teve um pequeno recuo.
Na análise dos presidentes da Anefac e da Anef, o que poderia provocar nos financiamentos dos veículos um problema semelhante às hipotecas de alto risco é se o País mergulhasse numa recessão, com a perda generalizada de emprego e renda. Como consequência, os consumidores não conseguiriam pagar os bancos e os ativos perderiam o valor.

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