Nesta quarta-feira (19), a Ibovespa fechou com alta de 0,90% alcançou a marca dos 100 mil pontos
Nesta quarta-feira (19), a Ibovespa fechou com alta de 0,90% alcançou a marca dos 100 mil pontos | Foto: Alf Ribeiro/Shutterstock.com



Com as projeções de queda da taxa Selic para 5,75% até o fim do ano, três fatores devem estar na cabeça dos investidores: diversificação de portfólio, ativos de riscos e longo prazo. Na verdade, analistas do mercado afirmam que isso deveria ter sido pensado há dois ou três anos atrás quando a taxa de juro iniciou a queda, saindo de 14,5%, em 2016 para os 6,5% atuais.

Os economistas do mercado esperam três cortes consecutivos da Selic a partir de setembro. Se as projeções estiverem corretas, a taxa básica de juros deve encerrar o ano em 5,75% ao ano. Os analistas já acertaram qual seria a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central para a Selic em junho. Conforme levantamento do Projeções Broadcast, de um total de 56 instituições consultadas, todas esperavam pela manutenção da Selic no nível atual.

A queda da Selic afeta as aplicações de renda fixa como poupança, títulos bancários (CDI, LCI, LCA), Tesouro Direto Selic e previdência privada. “Desde outubro [2018] que a Selic atingiu a taxa miníma histórica. A queda esperada leva o investidor para uma situação que ele nunca esteve. Com taxa de juros alta ele conseguia rentabilidade razoável com investimento seguro (sem volatilidade) e liquidez. A conjuntura mudou. O investidor padrão poupança está com ganho real comprometido”, afirmou Gabriel Vansolini, sócio da Bravus Investimentos, escritório credenciado da XP Investimentos em Londrina.

Com taxa de juros a 5,75%, os ganhos da poupança ficam inexistes. Os 0,37% de rendimento ao mês caem para 0,34%, o que significa 4% ao ano. A inflação dos 12 meses está em 4,66%, e deve, segundo o mercado financeiro, terminar o ano em 3,84%, com uma tolerância entre 2,75% e 5,75%.

Mas o que significa todas esses percentuais? Que o rendimento da poupança vai ser anulado pela inflação do período. Em Londrina, estima-se que havia R$ 3,1 bilhões na caderneta de poupança em 2018. Esse valor era de R$ 2,8 bi no ano anterior.

O mesmo deve ocorrer com os títulos de bancos e cooperativa de créditos atrelados ao CDI. Esses títulos não pagam integralmente a Selic. A variação fica entre 70% e 90% do DI, ou seja, após o descontado o imposto e inflação, não há ganho real, de acordo com Vasolini.

A pergunta é para onde correr? A orientação é diversificar o portfólio com ações, fundos multimercados, fundos imobiliários e títulos pré-fixados e de longo prazo como por exemplo CDB IPCA + 4%, ou Tesouro IPCA +. “O investidor vai ter que se acostumar que não existe mais almoço grátis”, comentou o sócio da Bravus. Investimentos.

O planejador financeiro João Botosso, sócio da youp! Financial Group, de Londrina, aconselha deixar no pós-fixado apenas um valor de reserva, equivalente a seis vezes o custo fixo das despesas mensais, e diversificar o portfólio. Para os mais conservadores, Botosso orienta avaliar, principalmente com a ajuda de um profissional, as possibilidades de aplicações. “Com uma renda variável, como ações, com curto prazo, ele vai ficar ansioso e olhando o rendimento todo dia. Por isso, é importante a orientação de um profissional”, afirmou.

Segundo os especialistas, esse movimento de queda era previsível e o investidor já poderia ter se prevenido. “A queda da Selic vem há algum tempo. Ela estava 14,25% ao ano em 2016. O investidor deveria ter tomado essa postura [de diversificação da carteira] há dois ou três anos atrás. Caso a Selic suba, essa subida será de 0,25% por vez. A volta será lenta”, comentou Botosso.

De acordo com o analista da Nova Futura Investimentos, Alexandre Faturi, é um bom momento para apostas no mercado de ações. Com a votação da reforma da Previdência, ele acredita que o fluxo de capital deva ir para a B3 Bovespa. Faturi recomenda que em uma carteira diversificada, que pelo menos 10% seja de ativos de ações. “Desde maio, quando começou o progresso da reforma [Previdência], há valorização do Ibovespa" Nesta quarta-feira (19), o índice fechou com alta de 0,90% alcançou a marca dos 100 mil pontos, fechando aos 100.303,41 pontos. (Com Agência Estado)

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