Especialista recomenda fugir de investimentos atrelados ao dólar
PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de julho de 2001
Agência FolhaDe São Paulo 
Se cada vez que você olha a cotação do dólar, sempre apontando para o alto, lhe dá água na boca, resista. O fim dessa corrida pode estar muito próximo e poderá ocorrer assim que a agonia da economia argentina tiver um desfecho. O risco de investir em câmbio está aumentando, pois o tempo para um desenlace da crise argentina está cada vez mais curto, diz Carlos Eduardo da Rocha, diretor de estratégia e pesquisa econômica do Credit Lyonnais Brasil.
Segundo analistas, se o vizinho do sul quebrar ou a conversibilidade que manteve o peso congelado por dez anos vier abaixo, medidas radicais terão de ser adotadas no Brasil. Os juros darão um salto, e o Banco Central inundará o mercado de câmbio para derrubar as cotações, avalia Rocha. Nesse momento, quem tiver acabado de fazer posições em dólar poderá ter grande prejuízo.
Mas desde o final do ano passado, quando o dólar sequer havia chegado a R$ 2, os analistas do mercado financeiro vêm recitando a mesma cartilha: a moeda norte-americana já está cara demais, não é hora de entrar em nenhuma aplicação atrelada ao câmbio. A menos que o investidor tenha planos de viajar para o exterior ou dívidas em dólar vencendo num futuro próximo.
Muita gente desafiou esse coro quase uníssono. Desde o início do ano até o último dia 10, a captação líquida dos fundos cambiais (diferença entre saques e aplicações) cresceu 57%. Esses investidores se deram muito bem. Só nos primeiros seis meses deste ano, a rentabilidade média dos cambiais foi de 24,73%. Apenas nos dez primeiros dias de julho, eles valorizaram-se mais 8,27%.
Afinal, os outros fundos perderam feio para os cambiais, como os DI, que acumularam ganhos de apenas 7,46% no primeiro semestre, e os de ações, que amargaram perdas de 6,11% no período. Não é hora de olhar para trás. Esqueça o passado, diz Ronaldo Magalhães, diretor-executivo da Sul América Investimentos.


