Especialista não espera muitos avanços na Rodada Cancún
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quarta-feira, 03 de setembro de 2003
Adriana Chiarini<br>Agência Estado 
Rio Não se deve esperar demais da reunião de ministros na semana que vem em Cancún, no México, quando haverá nova rodada de negociação da Organização Mundial do Comércio (OMC). A observação foi feita pelo especialista em direito da concorrência e comércio internacional, Shanker Singham, sócio do escritório internacional de advocacia Steel Hector & Davis LLP em palestra promovida pela Câmara de Comércio Americana (Amcham) no Rio. ''Nenhuma grande reforma da agricultura européia virá de Cancún'', disse Singham, que é um dos seis integrantes do comitê técnico do America's Business Forum, que reúne representantes do setor privado dos 34 países do continente.
Isso não significa também que a reunião será um fracasso. Defensor da liberalização comercial, Singham observou que haverá negociações importantes na reunião, marcada para o próximo dia 10, nas áreas de competição, transparência das ações do governo, facilitação comercial e investimentos. De acordo com ele, essas negociações ''vão determinar se há um movimento para a criação do ambiente necessário para oportunidade econômica global e crescimento''.
Alca Para Singham, a estratégia brasileira na Alca de não negociar nada se não for negociada a abertura de mercado na agricultura é ''anormal''. Ele fez um apelo para que o País não siga este caminho e afirmou que a dinâmica da Alca é entre Brasil e Estados Unidos.
O diretor-executivo do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), Mário Marconini, presente à apresentação, rebateu que o Brasil não tem muito a ganhar com a Alca em relação aos produtos industriais porque o benefício aos produtos industriais já existe.
China Singham considera que a Alca deve ser avaliada pelos países por dar vantagens competitivas a quem participa dele em relação aos países que não participam. Ele observou que, se não forem criados mecanismos de regulação internacional para lidar com as estatais chinesas, será muito difícil para empresas em países em desenvolvimento competir com elas. ''Aqui vocês se preocupam com as taxas de juros. Na China, não. O governo chinês dá o dinheiro para as empresas, sem juros. Fica difícil competir'', disse.


