Especialista não crê em reativação do Proálcool
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de setembro de 2002
Marta Medeiros<br>Equipe da Folha 
Maringá O professor José Walter Bautista Vidal, responsável pela criação do programa Proálcool na década de 70, disse em Maringá, que as promessas dos candidatos à Presidência da República com relação ao aumento das exportações de álcool e o incentivo à produção do combustível natural e veículos não passam de conversa fiada em pleno período eleitoral. ''Toda eleição tem isso porque os candidatos buscam dinheiro com os usineiros e precisam justificar com uma promessa de incentivo'', afirmou. Segundo Vidal, nos próximos anos o álcool será a única alternativa de combustível limpo e renovável e vai ocupar uma posição fundamental na economia mundial.
Vidal também lamentou o paradoxo do País deter a tecnologia mais avançada do mundo sobre o álcool em substituição aos derivados de petróleo, mas não incentivar a produção. ''Falta soberania ao nosso País'', disse o professor. Ele lembrou que na metade da década de 80, os carros a álcool representavam 98% da frota nacional, mas que a pressão do Banco Mundial em cima do Banco Central para acabar com os financiamentos aos pequenos e médios produtores de cana-de-açúcar derrubou o Pró-álcool. ''O programa tinha uma conotação social em que 30% da matéria-prima do álcool era produzida por pequenos e médios produtores'', disse Vidal.


