Curitiba - O abate dos bovinos inativa o vírus da febre aftosa, que não consegue sobreviver com a falta de oxigenação nos tecidos. Essa é a principal razão da doença não contaminar o ser humano, explicou José Francisco Warth, professor de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e especialista em doenças infecciosas nos animais. Ele ressalta, porém, que quando o animal é atingido pela doença, o vírus se espalha por todas as células do organismo.
Segundo Warth, quando o animal morre, a falta de oxigenação deflagra um processo de acidez nos tecidos músculosos, que derruba o PH da carne de 6,5 para 5,5. Esse processo conhecido como ''acidificação natural pós-mortem do animal'' inativa o vírus. Porém, o processo não atinge a região da medula óssea, fígado e pró-ventrículos (dobradinha). Nesses tecidos costuma não ocorrer a acidificação, disse o professor. ''Por isso, muitos países e Estados não permitem a entrada de carne com osso em seus territórios'', justificou.
Ainda segundo o professor, os países e Estados proíbem o trânsito de produtos lácteos porque a pasteurização do leite não inativa o vírus. Para Warth, os países compradores de carne costumam suspender as importações diante do temor da infestação do vírus em suas criações, que pode se disseminar para a produção de suínos e ovinos. A infestação pode acontecer a partir de restos de comida jogados fora por restaurantes, disse.
Warth não acredita na transmissão de aftosa de animais para humanos, porque senão as epidemias aconteceriam em paralelo, como está ocorrendo com a gripe aviária. ''Essa sim é mortal porque atinge e mata animais e humanos'', comparou.

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