Especialista diz que plantio de transgênico enfraquece produtor
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quinta-feira, 06 de junho de 2002
Denise Angelo<br>Equipe da Folha 
Curitiba O agricultor que planta soja transgênica perde sua soberania e entra num processo de servidão, que nada mais é do que um processo consentido de escravidão. Essa é a opinião do engenheiro agrônomo Sebastião Pinheiro, que fez palestra ontem durante a Semana de Meio Ambiente promovida pela Prefeitura de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. Pinheiro integra o Grupo Interdisciplinar de Pesquisa e Ação em Agricultura e Saúde (Gipas), do Rio Grande do Sul, e vem fazendo palestras sobre o assunto não só no Brasil como também em outros países da América do Sul.
Pinheiro alega que hoje as multinacionais que incentivam o plantio do transgênico produzem a semente, os herbicidas, fazem o transporte e a comercialização da soja e ainda fornecem crédito aos produtores. Quando o produtor vê, está dependente da empresa, revela. Segundo ele, hoje no Rio Grande do Sul 33% das lavouras de soja são transgênicas. Existem estatísticas dizendo que já seriam 70%, mas isso é uma informação plantada pelas empresas interessadas, acredita. E complementa dizendo que a frustração da safra de soja transgênica do Rio Grande do Sul, que chegou a 70%, não é comentada por ninguém no Estado porque as multinacionais compram o silêncio de todos.
O engenheiro se baseia na situação da Argentina para reforçar seus argumentos. Na Argentina, em seis anos, foram vendidas 600 mil propriedades de soja. Ele conta que as multinacionais estão estimulando a criação de pools de semeadura. Alugam a terra e fornecem todos os insumos necessários. Ficam livres dos impostos e dos riscos de perder a safra. Mas a remuneração ao produtor é pequena.
Ele diz ainda que um produtor que possua uma propriedade de aproximadamente 80 hectares, se aderir ao transgênico, vai falir em três anos. Produtores com áreas de até 400 hectares não sobreviverão mais de oito anos, segundo o engenheiro, plantando transgênicos.


