Curitiba – As empresas estatais de energia possuem todos os recursos necessários para resolver os problemas do setor energético e prevenir possíveis crises como a que aconteceu no ano passado. A afirmação é do presidente da Sociedade Brasileira de Planejamento Energético (SBPE), Maurício Tolmasquim. Segundo ele, as empresas sob controle público têm recursos para investir no setor e com isso manter baixo o preço da energia.
Tolmasquim participou do Seminário Meio Ambiente e Energia, promovido pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), no último final de semana, em Salvador, na Bahia. ‘‘A estatal do setor elétrico tem bastante recursos porque há usinas hidrelétricas que geram energia por R$ 6,00 o megawatt/hora. O custo operacional é muito baixo, porque as hidrelétricas já estão prontas e amortizadas. Depois de construída a barragem, operá-la é muito barato’’, avaliou o especialista.
A venda de hidrelétricas para o setor privado inevitavelmente causaria aumento das tarifas, na visão de Tolmasquim. ‘‘A privatização é feita projetando a receita futura e trazendo para valores atuais. Quem compra usina, não a compra barata e por isso não tem capacidade de gerar energia como a estatal’’, afirmou.
Atualmente, o governo federal não permite investimento público em empresas estatais porque esses recursos são contabilizados como déficit e isso entraria em desacordo com os acordos feitos com FMI, explicou Tolmasquim. ‘‘É preciso tornar racional a denominação de déficit público, não assumindo restrições dos investimentos das empresas estatais.’’
Segundo um dos diretores do Instituto Ilumina, Roberto Araújo, que também participou do seminário, o governo federal divulgou notícias falsas para tentar validar a proposta de privatização do setor elétrico. ‘‘A privatização do setor elétrico e a abertura de mercado não é uma tendência, como o governo afirma. O setor é predominantemente privado apenas em quatro países’’, afirmou.
- A jornalista viajou para a Bahia a convite da Fenaj

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