Especialista defende suspensão
Para o professor da Universidade da Califórnia, Garry Arthur Dumski, especialista em sistema financeiro mundial, esse não é o melhor momento para a privatização de um banco regional como o Banestado. Dumski estuda as fusões e privatizações de instituições financeiras nos Estados Unidos e em várias regiões do mundo. Segundo ele, o Paraná está passando por um período eleitoral, que naturalmente acirra as discussões apaixonadas e dificulta a discussão coerente de assuntos relevantes como a venda de um banco estatal. O leilão público de privatização do Banestado está marcado para o dia 17, próxima terça-feira.
O professor, que passou o dia, ontem, em Curitiba, lembra que a venda de um banco estatal acontece uma só vez. A tranferência é única, a questão é que ao tentar fazer um quebra-galho para resolver problemas conjunturais, muitos governos conseguem causar graves distorções estruturais de difícil correção no futuro. Segundo Dumski, o momento ideal da privatização de qualquer banco estadual é fora de processos eleitorais e depois de debates públicos sobre os efeitos sociais do processo.
Para Dumsnki, a greve dos funcionários do banco também pode refletir sobre o processo de venda. As chances da manifestação reduzir o preço de venda do banco em um leilão aberto são altas, como já aconteceu em outros países, lembra. Além disso, a greve mostra uma insatisfação do capital intelectual da empresa, ponderou.
Garry Dumski fez palestra ontem de manhã no Centro de Integração dos Empresários e Empregados do Paraná (Cietep), a convite do Instituto Superior de Administração e Economia (Isae), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O professor afirma que para ter sucesso, as privatizações precisam ser antecedidas de ampla discussão pública sobre as funções do futuro banco. A instituição será privada, mas os efeitos na sociedade precisam ser debatidos publicamente.
Existe uma tendência, na onda mundial de fusões de instituições financeiras, de restrição de acesso aos serviços bancários pelas empresas privadas. As grandes corporações estão em busca dos correntistas ricos, que dão lucro, e dos setores intermediários da economia, como empresas regionais, mas no Brasil infelizmente isso ainda exclui cerca de 50% da população de renda menor, assinalou o professor. (Emerson Cervi)





