Especialista defende adição da fécula no pão
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sexta-feira, 29 de novembro de 2002
Gilmar Agassi<br>Equipe da Folha 
Cascavel O pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Joselito Motta, responsável pelo setor de mandioca e fruticultura da unidade de Cruz das Almas (BA), defensor da adição da fécula de mandioca na produção do pão francês, diz que há pelo menos 16 anos a Embrapa desenvolve o estudos que comprovam ser viável utilizar o produto na mistura com o trigo para produção de massas. E garante que a utilização da fécula, deixa o pão mais crocante e evita que fique ressecado. ''A vida útil do pão também aumenta. Com a fécula, o pão pode ser consumido no outro dia sem problemas'', frisa.
Motta, que esteve ontem em Cascavel participando do seminário ''Panificação: Aditivos, ingredientes e tecnologias'', promovido pela Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Fundetec) em parceria com o Sebrae e Associação Brasileira de Produtores de Amido de Mandioca (Abam), acrescenta que existe resistência por parte de alguns padeiros, apesar de a maioria já admitirem o uso da fécula. Informa ainda que alguns moinhos já utilizam a mistura, mas não assumem por questões burocráticas. ''No Paraná, o custo da fécula é exatamente a metade do trigo'', ressalta.
Estudo realizado pelo Centro Tecnológico de Amidos (CTA), da Fundetec, mostra que o pão francês pode ter a mistura de 20% de amido de mandioca. Massas de outros pães aceitam até 30%, enquanto a pizza pode ter 40%. Motta entende que mesmo com esses estudos, a princípio, o correto é utilizar 10% de fécula no pão francês.
Atualmente, tramita na Câmara dos Deputados, em Brasília, um projeto de lei do deputado federal Aldo Rabelo, prevendo a obrigatoriedade dos moinhos adicionarem 10% de fécula na farinha de trigo comercializada no Brasil. Para os especialistas do setor, a lei é vista como uma forma de impulsionar o setor produtivo e também diminuir em até 50% o volume de importação de trigo.
Segundo Motta, alguns Estados, como o Mato Grosso do Sul, já sancionaram leis obrigando as panificadoras a utilizarem 5% de fécula na farinha de trigo para fabricação de pães. No Paraná, lei aprovada pela Câmara de Vereadores de Foz do Iguaçu permite que, a partir de 2003, a prefeitura possa utilizar 20% de fécula de mandioca na farinha de trigo para a fabricação de produtos para merenda escolar.


