O surto de febre aftosa está progredindo de forma lenta no Rio Grande do Sul e pode ser considerado sob controle, avaliou o coordenador adjunto do Convênio da Bacia do Prata, Luiz Alberto Pitta Pinheiro. O veterinário do Centro Pan-Americano de Aftosa (Panaftosa) disse que a situação estará completamente resolvida a partir do 30º dia depois do último foco. Esse prazo de segurança corresponde ao dobro do período de incubação do vírus, de 14 dias. A União Européia já sinalizou um prazo de 60 dias a partir do controle do surto para retomar as importações da carne gaúcha.
O primeiro foco de aftosa no Estado foi detectado em 5 de maio, em Santana do Livramento (fronteira com o Uruguai). Desde lá já foram confirmados outros 18 focos em mais cinco municípios – o que representa uma média de 0,56 foco por dia. No vizinho Uruguai foram registrados 1.404 focos em 44 dias – uma média 31,9 focos por dia, ou seja, um ritmo de progressão 57 vezes maior do que o gaúcho. Os números oficiais da Argentina indicam 1.224 focos em 86 dias (média de 14 por dia).
A vantagem do Rio Grande do Sul é atribuída a maior imunidade de seu rebanho, já que a vacinação contra a aftosa só foi interrompida em abril do ano passado para tentar obter um novo certificado da Organização Internacional de Epizootias (OIE). No Uruguai, como a última vacinação antes deste surto havia ocorrido em 1994, o gado não tinha nenhum tipo de defesa contra o vírus.
O governo uruguaio chegou a sacrificar 6.947 animais, mas suspendeu a medida sob pressão dos produtores, adotando apenas a vacinação. No Rio Grande do Sul, ao contrário, o rifle sanitário só começou a ser aplicado depois de um período de resistências contrárias dos pecuaristas e do governo gaúcho. Até agora já foram mortos 688 animais no Estado.

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