Especialista aposta na retomada da concorrência leal
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terça-feira, 09 de maio de 2006
Reportagem Local 
O presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO), Emerson Kapaz, prevê uma retomada da concorrência leal entre as empresas brasileiras para o mercado dos negócios em 2006. Kapaz, que esteve em Londrina para a palestra e debate Ética nos Negócios realizado ontem no Centro de Eventos do Catuaí Shopping, é referência na análise do comportamento empresarial brasileiro e defensor da responsabilidade social nas empresas.
Segundo o analista, a redução da curva de crescimento da pirataria no Brasil, a organização e união dos empresários na busca de meios legais para aumentar a competitividade e uma tendência de mudança de posicionamento no mercado são alguns dos elementos que apontam para uma melhoria das perspectivas para a concorrência leal. A discussão sobre a concorrência desleal é nova, mas vem crescendo em entre os empresários e todos eles sentem isso na pele, inclusive o consumidor, destaca Kapaz.
A concorrência desleal, no Brasil, está representada sobretudo pelas empresas que sonegam imposto, não registram nem pagam encargos aos funcionários e vendem artigos falsificados, e, assim, conseguem comercializar seus produtos ou serviços a preços muito abaixo das empresas concorrentes que cumprem a legislação empresarial. No país, existe uma realidade absurda: o empresário que tem uma conduta legal com o mercado e com o estado tem maior dificuldade em manter seus negócios, explica.
Estima-se que hoje a pirataria e o contrabando gerem anualmente R$ 35 bilhões em prejuízo para os empresários brasileiros e que a sonegação de impostos representem uma perda de R$ 130 bilhões aos cofres públicos todos os anos.
Dados levantados pela Consultoria McKinsey e o seu Instituto de Pesquisas Globais, McKinsey Global Instituto, revelam que o Brasil poderia crescer 7% ao ano sem a necessidade de grandes investimentos se os indicadores de informalidade recuassem ao longo de uma década.
A cada ano o país apresenta um crescimento menor e a economia ilegal é um dos grandes entraves ao crescimento econômico. Já está na hora de questionar se o jeitinho brasileiro, antes ligado à criatividade, não se transformou em um jeitinho brasileiro de fazer as coisas erradas.
Um dos caminhos apontados pelo analista é a mudança de alguns pontos da legislação e o rompimento com as atitudes condescendentes com a ilegalidade. Alguns exemplos do resultado na união empresarial em alguns segmentos são a diminuição do contrabando no setor do fumo e cervejas e redução das adulterações do combustível em postos de gasolina.
O consumidor acredita que está levando vantagem ao comprar um produto pirateado, mas os impostos ficam sempre maiores para cobrir os rombos na arrecadação do governo, diz o especialista.


