O presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO), Emerson Kapaz, prevê uma retomada da concorrência leal entre as empresas brasileiras para o mercado dos negócios em 2006. Kapaz, que esteve em Londrina para a palestra e debate ‘‘Ética nos Negócios’’ realizado ontem no Centro de Eventos do Catuaí Shopping, é referência na análise do comportamento empresarial brasileiro e defensor da responsabilidade social nas empresas.
  Segundo o analista, a redução da curva de crescimento da pirataria no Brasil, a organização e união dos empresários na busca de meios legais para aumentar a competitividade e uma tendência de mudança de posicionamento no mercado são alguns dos elementos que apontam para uma melhoria das perspectivas para a concorrência leal. ‘‘A discussão sobre a concorrência desleal é nova, mas vem crescendo em entre os empresários e todos eles sentem isso na pele, inclusive o consumidor’’, destaca Kapaz.
  A concorrência desleal, no Brasil, está representada sobretudo pelas empresas que sonegam imposto, não registram nem pagam encargos aos funcionários e vendem artigos falsificados, e, assim, conseguem comercializar seus produtos ou serviços a preços muito abaixo das empresas concorrentes que cumprem a legislação empresarial. ‘‘No país, existe uma realidade absurda: o empresário que tem uma conduta legal com o mercado e com o estado tem maior dificuldade em manter seus negócios’’, explica.
  Estima-se que hoje a pirataria e o contrabando gerem anualmente R$ 35 bilhões em prejuízo para os empresários brasileiros e que a sonegação de impostos representem uma perda de R$ 130 bilhões aos cofres públicos todos os anos.
  Dados levantados pela Consultoria McKinsey e o seu Instituto de Pesquisas Globais, McKinsey Global Instituto, revelam que o Brasil poderia crescer 7% ao ano sem a necessidade de grandes investimentos se os indicadores de informalidade recuassem ao longo de uma década.
  ‘‘A cada ano o país apresenta um crescimento menor e a economia ilegal é um dos grandes entraves ao crescimento econômico. Já está na hora de questionar se o jeitinho brasileiro, antes ligado à criatividade, não se transformou em um jeitinho brasileiro de fazer as coisas erradas.’’
  Um dos caminhos apontados pelo analista é a mudança de alguns pontos da legislação e o rompimento com as atitudes condescendentes com a ilegalidade. Alguns exemplos do resultado na união empresarial em alguns segmentos são a diminuição do contrabando no setor do fumo e cervejas e redução das adulterações do combustível em postos de gasolina.
  ‘‘O consumidor acredita que está levando vantagem ao comprar um produto pirateado, mas os impostos ficam sempre maiores para cobrir os rombos na arrecadação do governo’’, diz o especialista.

mockup