Especialista alerta para excesso de crédito
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segunda-feira, 04 de abril de 2005
Agência Estado 
São Paulo - As inúmeras alianças firmadas recentemente entre bancos e lojas para explorar o atraente mercado de crédito ao consumidor, que encerrou fevereiro com saldo de R$ 119 bilhões, correm o risco de virar uma ''bolha''. O alerta foi feito ontem pelo sócio-diretor da Partner, Álvaro Musa, durante a abertura da 10 Exposição e Conferência Internacional de Cartões, Serviços e Tecnologia, em São Paulo.
''Existe um risco concreto de haver excesso de oferta de serviços financeiros'', diz o especialista. Ele observa que a corrida para explorar esse mercado poderá resultar num aumento da inadimplência além do esperado ou na rentabilidade menor para os bancos. ''Esse movimento resultou numa certa valorização dos negócios, envolvendo grandes cifras, cujo resultado pode não corresponder às expectativas.''
Essa avaliação, só que ampliada para o mercado de crédito em geral, é compartilhada pelo diretor-executivo de Cartões da Losango, Leandro Vilain. ''A palavra de ordem é cautela'', diz o executivo. Ele observa que mudanças no cenário macroeconômico advindas de pressões externas como, por exemplo, a elevação do preço do petróleo, podem representar queda na renda e problemas no consumo.
A rentabilidade do crédito ao consumidor ainda exibe números invejáveis. De cada R$ 100 direcionados para a linha de empréstimo pessoal, 15% é lucro líquido, diz Vilain. Esse retorno é o triplo do obtido no crédito direto ao consumidor (5%), que são aqueles empréstimos vinculados à compra de um bem.
''Trata-se de um negócio sedutor, mas numa conjuntura de inversão de mercado pode-se ir do lucro para grandes prejuízos. A bola poderá murchar um pouco'', prevê o diretor da Losango.
Para este ano, no entanto, o cenário está dado, diz Vilain. A grande preocupação é com o que vai ocorrer em 2006 e 2007. Ele observa que só irão sobreviver as instituições financeiras que passarem a atuar com maior ênfase na concessão de crédito a trabalhadores informais, que já respondem por mais 50% da População Economicamente Ativa (PEA).


