O advogado especializado em causas imobiliárias, Jorge Brandalize, recomenda que os interessados nos imóveis que estão indo a leilão dêem preferência às casas e apartamentos desocupados e se esforcem para dar a maior entrada possível para reduzir a dívida. No caso de financiamento, o futuro mutuário deve optar por contratos de curto prazo, em torno de 60 meses.
‘‘Nestas condições, prevalencendo os juros atuais, o mutuário estará fazendo um ótimo negócio’’, afirma o advogado que atua no setor há mais de 15 anos. Brandalize explica que a inflação dos últimos anos e o consequente repasse de altos índices aos saldos dos imóveis financiados resultaram na situação caótica que leva milhares de famílias a perderem a casa própria. Ele exemplifica com a inflação de 85,32%, registrada em março de 1990, que foi repassada pelos agentes financeiros para quem tinha financiamento.
‘‘Quem está perdendo seu imóvel é um refém desta situação econômica’’, define o advogado, que tem 7,5 mil ações ajuizadas contra agentes financeiros. Para Brandalize, quem está disposto a participar deste leilão da Caixa precisa observar todas as condições para fechar um bom negócio. No caso de um imóvel ocupado, ele explica que, mediante ação de imissão de posse, em seis meses a um ano, no máximo, o comprador ganha definitivamente a ação. ‘‘Mesmo assim, acho que o ideal é privilegiar um imóvel já desocupado’’.
Para o advogado, a própria Caixa deveria se responsabilizar pela retirada do antigo proprietário, o que evitaria o constrangimento dos novos compradores. ‘‘É preciso lembrar que são pessoas que investiram seu dinheiro e sofreram, muitas vezes, uma cobrança exagerada. provocada por planos econômicos e descumprimento de contratos’’, afirma. (P.L.)

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