Espanhóis pagam ágio de 671,42% pela Flumitrens
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de julho de 1998
Agência Folha 
Operadores espanhóis vão assumir a Flumitrens (Companhia Fluminense de Trens Urbanos), que controla o sistema ferroviário urbano do Rio, pelos próximos 25 anos. O consórcio vencedor, formado por duas empresas espanholas e por investidores nacionais (Bancos Pactual e Prosper), concorreu com outros três interessados no leilão, realizado ontem de manhã na Bolsa do Rio.
O contrato para a exploração do serviço poderá ser renovado uma vez por mais 25 anos. O grupo vencedor ofereceu R$ 279,657 milhões pela empresa - um ágio de 671,42% sobre o preço mínimo, fixado em R$ 36,252 milhões. O lance também ficou 70% acima da segunda proposta mais elevada, do consórcio que reunia empresários de ônibus. O ágio só não superou o da privatização do metrô, de 921%.
A Flumitrens tem um déficit operacional que chega a R$ 200 milhões por ano (a receita não cobre os gastos). Apenas 74 das 274 composições que servem à zona oeste do Rio, a bairros do subúrbio e à Baixada Fluminense estão funcionando. Os concessionários têm que recuperá-las em até quatro anos.
Os operadores serão a estatal Red Nacional de Los Ferrocarriles Espa¤oles e a empresa Construcciones y Auxiliar de Ferrocarriles. O governo do Estado não ficará com o ágio do leilão. Todos os recursos deverão ser reinvestidos na própria empresa.
A verificação do cumprimento do contrato ficará a cargo da agência estadual de fiscalização de serviços públicos concedidos. Ao transferir a operação da Flumitrens para a iniciativa privada, o governo do Rio repassou também dois investimentos que seriam feitos com recursos públicos.
O primeiro é uma contrapartida de R$ 186,5 milhões para um financiamento do mesmo valor acertado com o Banco Mundial para a recuperação da Flumitrens, disse o secretário estadual de Fazenda, Marco Aurélio Alencar. O outro investimento, em torno de R$ 90 milhões, vai para a recuperação de 63 trens, que seria feita com recursos da venda do metrô. Para o cofre do Estado, só deverão entrar R$ 28 milhões, destinados à saúde, segundo Alencar. Os outros R$ 8 milhões são para a compra de material.
Luís César Fernandes, sócio do Banco Pactual, que participa em associação com um dos maiores fundos de investimento do mundo, o inglês Eletra, disse que a Flumitrens estará transportando 2 milhões de pessoas por dia no ano 2000.
Quando isso acontecer, ninguém perceberá a diferença entre os trens e o metrô, disse Fernandes, que espera um retorno de 18% por ano, dentro de cinco anos. A tarifa de R$ 0,60 terá reajuste anual pelo índice da inflação e poderá ter um aumento de 30% quando os trens tiverem ar condicionado.
Para o Clube de Engenharia do Rio, o preço mínimo da Flumitrens foi irrisório. Como o governo só receberá 30% à vista e o restante em 240 prestações, diz em nota, o repasse mensal, em torno de R$ 81,667 mil, é muito pequeno para uma concessão desse porte.
A Flumitrens é a terceira empresa de serviço público do Rio a ter grupos espanhóis no controle. A primeira foi a Cerj, de eletricidade, e a segunda, a Ceg, de gás.Otávio Magalhães/Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Vendido!O secretário dos Transportes do Rio, Francisco Pinto; o secretário de Fazenda do Rio, Marco Aurélio Alencar; o presidente da Bolsa de Valores, Carlos Reis; e o leiloeiro Alexandre Runter batem o martelo no leilão de privatização da FlumitrensRio de Janeiro privatiza primeira concessão de trens urbanos no País


