Fábio Motta/AE
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Negócio fechadoEduardo Lópes-Aranguren Marcos, diretor da Iberdrola, que arrematou a Coelba: ‘‘Empresa baiana vale o que foi pago. Não fazemos ofertas temerárias’’O grupo privado espanhol Iberdrola, associado ao Banco do Brasil Investimentos (BBI) e à Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, comprou ontem, em leilão de privatização na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, por R$ 1,730 bilhão (equivalentes a US$ 1,598 bilhão), o controle da Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba), que pertencia ao governo baiano. O ágio foi de 77,38%, já que o preço mínimo das ações em oferta, representativas de 65,4% do capital votante, era de R$ 975,8 milhões. Foi a maior operação de privatização estadual já realizada. ‘‘Senhor do Bonfim estava presente aqui’’, comemorou o presidente da bolsa de valores baiana, Brorim Marmud. O leilão foi feito pelo sistema de envelopes fechados.
A Light Serviços de Eletricidade, ex-estatal hoje controlada pelo grupo francês Eletricité de France (EDF) associado ao americano Houston Energy e outros, foi desclassificada na disputa: no envelope entregue ao leiloeiro, tinha digitado errado o valor da sua oferta. Ao invés de escrever o valor em bilhão de reais, escreveu em milhão. Sua oferta, que se estivesse escrita corretamente - R$ 1,667 bilhão - seria a segunda melhor do leilão. Esta é a terceira disputa que a Light perde, pois já tentou comprar a Companhia de Eletricidade do Rio de Janeiro (Cerj) e a Companhia Estadual de Gás (CEG), todas em leilões de privatização. A corretora Bradesco, que operou para a Light no leilão de ontem, apressou-se a informar que o erro foi da concessionária.
A Iberdrola tem 39% do consórcio, portanto pagará cerca de R$ 675 milhões pela aquisição. O BBI (juntamente com Brasilseg e Brasilcap, empresas que têm como sócio a seguradora Sul América) tem 12%, a Previ, 5% e fundos geridos pelo BBI para clientes detem os 41% restantes.
Além do consórcio da Iberdrola, cujo operador no leilão foi a Corretora Bozano, Simonsen, e o da Light, outros três concorreram à Coelba: o da Cerj, com a chilena Chilectra, a portuguesa EDP e a espanhola Endesa, entre outros, e cujo operador foi a corretora Graphus; o Escelsa, associada ao banco Opportunity, e operado pela Brascan; e o consórcio Investco, liderado pela americana CSW, com a corretora Omega como operadora no leilão. Com a desclassificação da Light, a segunda melhor proposta foi a do consórcio da Escelsa (R$ 1,620 bilhão). O consórcio da CSW apresentou a oferta mais baixa (R$ 1,405 bilhão).
O pregão da Bolsa do Rio estava lotado de representantes dos consórcios e seus assessores e de funcionários da Coelba. O sotaque baiano misturava-se ao inglês e ao espanhol. Ao final do leilão, o principal comentário era sobre os ágios elevados proporcionados pelo sistema de envelopes fechados, que os governos estaduais estão adotando. Neste sistema, por total desconhecimento da oferta dos demais candidatos, ocorrem casos como o de hoje, em que a menor proposta foi 44% superior ao preço mínimo fixado.

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