Espanhóis compram 3 lotes de linhas de tranmissão
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quinta-feira, 15 de agosto de 2002
Agência Estado 
Rio - A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) licitou, em leilão realizado ontem na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ), os oito lotes contendo onze trechos de linhas de transmissão oferecidos à iniciativa privada com deságios de 0,01% a 15,09% - em leilões de linhas, vence quem oferecer a menor receita anual, em relação a um nível máximo estabelecido pela agência.
Considerado pela Aneel o remate mais disputado entre os realizados com linhas de transmissão, o leilão de ontem, marcado principalmente pelo ''apetite'' de investidores espanhóis, deverá motivar investimentos calculados em R$ 912,12 milhões na construção de 1.853 quilômetros novos de malha de transmissão de energia.
''O resultado foi efetivamente positivo, diante do momento de incertezas vivido pelo País'', destacou o diretor-geral da Aneel, José Mário Miranda Abdo, destacando que os deságios deverão resultar em benefícios para os usuários do transporte de energia. No leilão anterior, realizado em setembro de 2001, a Aneel registrara, entre quatro lotes de linhas oferecidas, o encalhe de um deles - a concessão de um trecho no Pará - e o remate de outro pela receita máxima estipulada pela Aneel - sem deságio, portanto.
Os espanhóis foram grandes vencedores do leilão, que arremataram três dos lotes ofertados. O consórcio Inter Expansión, formado pelos grupos espanhóis Cobra, Elecnor, Osolux e Instalaciones Inabensa, arrematou a linha Itumbiara - Maribondo oferecendo uma receita anual de R$ 26,250 milhões, o que representou um deságio de 11,68%.
O consórcio Elecnor-Isolux, formado pelas duas empresas espanholas, conquistou a concessão da linha Tijuco Preto - Cachoeira Paulista, com uma receita anual de R$ 27,840 milhões e um deságio de 11,99%.
A ASA Investment AG, empresa suíça que pertence ao grupo espanhol Abengoa, ficou com o lote que abrangia as linhas Uruguaina - Maçarambá, Maçarambá - Santo Ângelo e Santo Ângelo - Santa Rosa, com uma receita anual de R$ 25,8 milhões, que representou deságio de 2,89%.
José Castellanos, presidente da Expansion Transmissão de Energia, representante do Consórico Inter-Expansion, disse que os investimentos do grupo no País deverão subir, com as aquisições de ontem, de R$ 300 milhões para R$ 500 milhões. Ele espera, contudo, obter financiamentos do BNDES para 70% do valor a ser investido.
Analistas já vinham prevendo disputa para esse leilão, que registrou o maior número de candidatos pré-classificados - 23 ao todo, entre empresas isoladas e consórcios. Segundo Marcos Severine, do Banco BBA Creditanstalt, a Aneel promoveu aperfeiçoamentos que resultaram em uma melhoria do retorno do negócio de transmissão de energia de 5% a 6% ao ano, nos primeiros remates, para 10% a 12%, nos últimos.
O analista Sérgio Tamashiro, da Unibanco Research, acrescentou que a transmissão ''é um negócio tranquilo, seguro, que acaba funcionando como um investimento em renda fixa''. Os técnicos da Aneel consideram que este foi o remate de concessões para a construção e operação de linhas de transmissão mais disputado desde que a Aneel começou a licitar as concessões, em 1999.


