Espaços gratuitos buscam disseminar conceito de coworking em Londrina
Localizados em shopping centers da cidade, espaços são frequentados por profissionais liberais em busca de local de trabalho sem custos fora de casa
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de agosto de 2019
Localizados em shopping centers da cidade, espaços são frequentados por profissionais liberais em busca de local de trabalho sem custos fora de casa
Mie Francine Chiba - Grupo Folha 
Segundo o Censo Coworking Brasil 2018, existem no Brasil 1.194 espaços de coworking espalhados em 169 dos municípios brasileiros com mais de 150 mil habitantes. O número é 48% maior que o registrado no ano anterior, quando havia 810 espaços de coworking conhecidos no País. Mais de 214 mil pessoas circulam por esses locais, que movimentaram R$ 127 milhões em 2018, um crescimento de 57% em relação a 2017.

Segundo o estudo, se de um lado algumas empresas consolidam suas marcas, com espaços amplos e estruturados, cada vez mais as pequenas empresas, os cafés e os centros comerciais abrem suas portas para a comunidade local com espaços de coworking, ainda que de forma improvisada.
“Estamos vendo uma grande pluralização do perfil dos espaços. Hoje não existe 'espaço ideal'. Cada um vem experimentando diferentes tipos de estrutura, com diferentes serviços e testando o que funciona. Ao passo que um pequeno espaço aposta na proximidade do fundador com os membros, shoppings espalhados pelo Brasil confiam na sua atratividade para inaugurar espaços de trabalho”, diz o estudo.
Por aqui, além dos já conhecidos espaços de coworking, o londrinense começa a ver o conceito de trabalho compartilhado em locais abertos ao público, como os shopping centers. Em Londrina, dois shoppingscontam com espaços semelhantes e outros dois devem inaugurar os seus em breve.
No primeiro andar do Aurora Shopping, a Frezarin Escritórios, que já tem experiência com coworking, inaugurou um espaço gratuito em parceria com o shopping (que cedeu o espaço) e com uma empresa de móveis para escritórios (que mobiliou o local). Internet, energia elétrica, limpeza, gestão da comunidade ficaram a cargo da Frezarin. O local disponibiliza 20 estações de trabalho, bistrôs para reuniões rápidas, área de descanso, internet Wi-Fi dedicada e tomadas ao redor.
No dia 9 de agosto, foi comemorado o Coworking Day e o espaço realizou atividades voltadas aos coworkers. A ideia é que outras ações sejam realizadas no local.
Em um dos espaços visitados, as mesas eram ocupadas por muitos profissionais liberais em busca de uma opção gratuita de local de trabalho fora de casa. Consultora de vendas, Sabrina Chimenton não tem local de trabalho definido e diz que frequenta o coworking todos os dias. A consultora conta que é preciso ter muita disciplina para trabalhar em casa, e que lá sempre aparecem outros afazeres não relacionados à profissão. “Prefiro trabalhar aqui do que em home office.”
Autônomo, o representante comercial Ismael Francisco também diz que usa o coworking para trabalhar e ficar fora de casa. Para ir aos espaços compartilhados, o autônomo se veste adequadamente, pega o computador e sai mais focado para o trabalho. “É bem mais interessante que em casa, onde à gente fica muito à vontade.”
CULTURA COWORKER
O objetivo da parceria, segundo Eduardo Frezarin, fundador do Grupo Frezarin, é “fomentar a cultura do coworking”. Os espaços de trabalho compartilhado, segundo ele, são um terreno fértil para o empreendedorismo a partir da colaboração entre os “coworkers”. “O coworking tem a estrutura e, o melhor de tudo, tem conexão entre pessoas, o que gera negócios.”
Todas as empresas envolvidas na criação do espaço saem ganhando com a parceria, explica Frezarin. O coworking gratuito aumenta o fluxo do shopping, fomenta o negócio de mobiliário corporativo e aumenta as chances de os coworkers se sentirem motivados a frequentar um espaço pago quando precisarem de algo que o espaço gratuito não forneça, como uma sala privada ou sala de reunião.
Outros dois espaços semelhantes já estão previstos em outros shoppings da cidade, afirma Frezarin. A ideia, conforme ele, é criar mais espaços assim em outros locais da cidade, como clubes e aeroporto.

Localizado na área de expansão, o coworking do Catuaí Shopping foi criado em 2016 para atender pequenos empresários, autônomos, estudantes, profissionais liberais, conta a gerente de Marketing do Catuaí, Lorraine More. O espaço tem capacidade para 10 pessoas, Wi-Fi gratuito, mesas com tomadas para conectar notebooks e cabos para celulares.
De acordo com a gerente, o coworking segue a tendência de grandes centros. “É um espaço muito utilizado por conta da facilidade e da segurança. Em um mesmo local, o usuário do coworking tem à disposição, por exemplo, papelarias, restaurantes e estacionamento.”
SHOPPINGS DA CIDADE PLANEJAM INAUGURAÇÃO DE ESPAÇOS
O shopping Boulevard Londrina também deverá ter um espaço de coworking. “Espaços de coworking são uma tendência em grandes shopping centers. No Boulevard Londrina Shopping estamos caminhando para termos o nosso próprio coworking, o que deve ser concretizado nas próximas semanas”, afirmou Mauricio Morelato, superintendente do Boulevard Londrina Shopping, por meio de nota da assessoria de imprensa.
“Acreditamos que empreendimentos verdadeiramente completos e atuais precisam ter em suas ofertas de serviços espaços democráticos como os coworkings para atender tanto profissionais liberais quanto pessoas que buscam um lugar criativo e interativo para desenvolverem seus projetos, ampliar networking e até realizar negócios”, completou o superintendente.
O Royal Plaza Shopping também deve inaugurar seu espaço de coworking em breve. “Este será um espaço coletivo e gratuito para que os visitantes possam trabalhar, estudar e realizar suas reuniões de trabalho”, pontuou Nayara Guerra, do Departamento de Marketing. Segundo ela, o coworking do shopping será equipado com internet Wi-Fi, cadeiras, mesas e tomadas e ficará localizado no 2° piso. O objetivo da iniciativa é valorizar mais o centro da cidade, além de trazer os clientes para mais perto, destaca Guerra.
CUIDADO PARA NÃO VIRAR 'LAN HOUSE MAIS MODERNINHA'
Presidente da Ancev (Associação Nacional de Coworking e Escritórios Virtuais), Ernísio Martines Dias alerta para o uso da expressão “coworking”, que tem relação com a economia colaborativa, a partir do compartilhamento de espaços, e também envolve uma filosofia ou forma de trabalho colaborativa e em que as pessoas têm mais liberdade, qualidade de vida e se tornam membros de uma comunidade.
Dias comenta que esses espaços gratuitos também estão se espalhando por outras cidades do Brasil, principalmente shopping centers. Mas muitos desses locais são abertos em espaços ociosos e servem mais como “ lan houses mais moderninhas”. “Em São Paulo, cada shopping tem um. Mas eu vejo que a pessoa está lá só para usar Wi-Fi.”
Para que esses espaços não percam a ideia inicial de coworking, Dias orienta para a profissionalização do local, que deve ser mais fechado, contar com recepção, identificação, sala de reunião, bancas de trabalho e gestor. Ainda mais importante é que o espaço tenha uma comunidade. “O espaço para ter a filosofia do coworking precisa ter uma comunidade, alguém que conecte essa comunidade, e que os membros passem a colaborar”, ressalta. Agindo dessa forma, os espaços gratuitos têm o potencial de serem “vitrines” do coworking, fomentando todo o segmento.


