São Paulo - A produção brasileira de trigo superou em 2008 as 5,5 milhões de toneladas para um consumo de 10,5 milhões de toneladas/ano. A Argentina deve produzir um volume entre 10 milhões e 10,5 milhões de toneladas, quase 5 milhões de toneladas menos que em 2007, por conta de problemas climáticos. Com isso, o saldo exportável deve ficar abaixo de 5 milhões de toneladas, volume que atende o Brasil, mas que deve ser disputado por outros mercados também.
Em 2008, quando a Argentina represou as vendas externas de trigo para controlar a inflação interna, o governo brasileiro retirou temporariamente a TEC incidente sobre as importações de trigo de outros países. O resultado foi uma participação maior de outros países para atender o volume não fornecido pela Argentina.
De janeiro a novembro, o Brasil importou 5,6 milhões de toneladas de trigo contra 6,2 milhões de t em igual período do ano passado. Dos Estados Unidos vieram 907 mil t, do Paraguai, 465 mil t, do Canadá, 273 mil t e do Uruguai, 88 mil t. A Argentina vendeu ao Brasil 3,8 milhões de t, 67% do total, ante mais de 90% em outros anos.
Lawrence Pih, diretor-presidente do Moinho Pacífico, maior processador de trigo do País, vê em 2009 maior participação do Uruguai e do Paraguai como fornecedores de trigo ao Brasil. ''Os dois países devem ter um excedente de 900 mil toneladas, o que vem ajudar mesmo se parte desse volume seguir para outros destinos'', disse.
Para o executivo, a dificuldade neste ano-safra reside na qualidade do trigo. Problemas climáticos na Austrália, no Brasil (em especial no Rio Grande do Sul) e na Argentina afetaram a qualidade do cereal usado na panificação e na fabricação de massas. Esse fator, na sua avaliação, pode dar sustentação aos preços, elevando o spread (diferença de preços) entre o trigo hard (panificador) e o soft (usado na produção de biscoitos).
Quanto à isenção de PIS/Cofins que vigora para a cadeia trigo até junho de 2009, o setor espera que o benefício se torne permanente.
Em encontro com a imprensa no início de dezembro, o presidente da Associação Brasileira da Indústria da Panificação e Confeitaria (Abip), Alexandre Pereira Silva, disse que a meta do setor em 2009 será obter a isenção total de impostos que incidem sobre o pão francês, a fim de estimular o consumo. No Brasil, o consumo é de 33,6 quilos per capita/ano, ante 70 quilos na Argentina. A Organização Mundial de Saúde recomenda como ideal o consumo de 60 quilos per capita ano, diz a Abip. (J.M./A.E.)

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