A importância do conhecimento como recurso e poder gerencial é indiscutível na atual conjuntura econômica e social. Tomando por base as idéias de Peter Drucker, publicadas no livro ‘‘Sociedade Pós-Capitalista’’, as atividades centrais para a geração de riqueza não serão a alocação de capital para recursos produtivos, nem para a mão-de-obra - os dois pólos das teorias econômicas dos séculos XIX e XX. O conceito que na atualidade reflete a idéia de geração de riqueza, pode ser expresso pela palavra ‘‘conhecimento’’.
Conhecimento significa informação conectada a experiências que só podem ser processadas na mente de pessoas. Portanto, nas empresas, só é possível ‘‘processar o conhecimento’’ nas mentes dos colaboradores. Para Drucker, o valor é criado pela ‘‘produtividade’’ e pela ‘‘inovação’’, que são aplicações do conhecimento ao trabalho. Consequentemente, é por meio da informação capturada, processada, analisada e aplicada que o processo de criação de riqueza se realiza.
Sendo assim, nasce um novo conceito de trabalhador. A idéia do colaborador que vende apenas ‘‘trabalho braçal’’ perde cada vez mais importância, em função da necessidade de produzir bens com alto valor agregado. Trata-se do deslocamento das forças produtivas do ‘‘fazer’’ para o ‘‘saber’’, originando o aumento de produtividade do trabalho causado pela apropriação sistemática do conhecimento (MALIN, 1994, p.10).
Drucker chama a atenção para o profissional capaz de atuar com este recurso e o chama de ‘‘trabalhador do conhecimento’’. Tratam-se de profissionais com habilidades para criar, inovar e produzir a partir do conhecimento. É esta, justamente, a principal diferença entre os países ricos e os países pobres, já que o número de pessoas que realizam atividades relacionadas ao conhecimento é muito superior nos países desenvolvidos, o que os torna mais competitivos e os leva a produzir mais riqueza.
Não é de hoje que escutamos que o Brasil é uma país rico porque tem minérios, terras produtivas, florestas, enfim, recursos naturais em abundância. Mas será esta a real diferença entre ricos e pobres? Se assim fosse, a história do Brasil certamente seria outra. Constata-se que a principal diferença entre nações desenvolvidas e nações em desenvolvimento baseia-se no proveito que cada uma delas faz do conhecimento.
Nações desenvolvidas geram produtos inovadores, com alto valor agregado, ao passo que as nações pobres continuam pagando - e bastante caro - pela tecnologia desenvolvida pelas ricas. Se desejamos ver o Brasil em melhores condições de competitividade, urge que consideremos o conhecimento como matéria-prima indispensável para a criação de riqueza. Caso contrário, continuaremos a nos lamentar pelo fato de nosso País apresentar, ao mesmo tempo, tantas potencialidades e tantas dificuldades para tornar-se verdadeiramente rico.
* Ana Paula Womsbecker integra o Núcleo Gestão do Conhecimento do IBQP.
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