ESPAÇO IBQP - Treinamento nas empresas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de agosto de 2002
Francisco Teixeira Neto 
Apesar do volume e da diversidade de conhecimento terem crescido sensivelmente nos últimos tempos, o processo de transferência de tais informações em salas de treinamento parece não ter evoluído na mesma proporção. Afinal, quantas vezes nos deparamos com instrutores que parecem estar muito mais preocupados em demonstrar o quanto sabem a respeito de um determinado assunto, ou gastam muito tempo falando de suas próprias experiências, ao invés de se ocuparem em fazer com que os treinandos tenham oportunidades concretas de internalizar e de aplicar os novos conhecimentos?
Sabemos que compartilhar a experiência é importante, mas, em muitos casos, fica-se com a impressão de que o instrutor deseja mais impressionar o aluno do que fazer com que ele aprenda, de fato. O instrutor ou professor deve ter o papel de transmissor das informações e conteúdos, mas esta não é a única e nem a mais importante de suas atribuições. É fundamental que o instrutor conheça e domine os conteúdos, mas o modo como tais conteúdos são trabalhados é o que realmente faz a diferença sob o ponto de vista de quem esta tentando aprender.
As dinâmicas empregadas, prevendo, além dos diferentes estilos de aprendizagem, o conhecimento prévio de cada aluno a respeito do assunto, tornam os papéis de facilitador, catalisador e mediador igualmente valiosos. Quantas vezes nos vemos obrigados, em sala de aula, a ouvir passivamente um instrutor que fala sem parar, sem dar qualquer chance aos treinandos de relacionar o conteúdo enfocado a alguma aplicação que faça sentido? Infelizmente, ainda é muito comum nos depararmos com instrutores que passam horas reproduzindo transparência atrás de transparência enquanto nós lutamos contra o sono , como se a única obrigação fosse despejar um grande volume de informações.
Embora os modernos métodos de ensino indiquem que a melhor maneira de se aprender é fazendo, e que as pessoas possuem ritmos distintos de aprendizagem, além de diferentes níveis de interesse e de capacidade de absorção do conhecimento, poucos instrutores fazem uso de tais informações e metodologias. Não é uma questão do quanto cada um pode aprender, em termos de quantidade, mas do quanto se pode apreender em termos de qualidade da informação e de aplicação do conhecimento à vida, tanto em termos profissionais quanto no plano pessoal.
Além disso, se ao final do treinamento não formos capazes de dizer que realmente aumentamos nossas competências, de que terão valido o tempo e o dinheiro despendidos? Portanto, quando estiver escolhendo o seu próximo treinamento ou o treinamento dos funcionários da sua empresa assegure-se de que serão dadas oportunidades práticas, para exercitar, discutir, refletir e contextualizar os temas abordados. Esta é uma questão de qualidade e constitui uma aplicação do construtivismo ao treinamento nas empresas.
- Francisco Teixeira Neto é consultor do IBQP.
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