A difusão de ações concretas em prol do desenvolvimento sustentável implica não apenas no conhecimento técnico, mas também na existência de pessoas com talento e sensibilidade para dar início e manter estas ações. A capacitação de recursos humanos com esta nova visão de sustentabilidade é fundamental para a multiplicação das iniciativas já em andamento e, ainda, para o surgimento de novas idéias e novos projetos. Para falarmos da formação de recursos humanos em desenvolvimento sustentável, é necessário termos uma breve noção histórica do surgimento dos conceitos de desenvolvimento e de sustentabilidade.
A evolução histórica do formato de desenvolvimento desejável para as sociedades humanas ocorreu em etapas progressivas, acompanhando a lógica do pensamento econômico. Inicialmente, consolidou-se a definição operacional de uma ‘‘produtividade econômica’’, medida através de índices como o Produto Interno Bruto (PIB) ou do Produto Interno Bruto per capita (PIB/capita). Após esta fase, emergiu, para além da visão estritamente econômica, uma preocupação com a mensuração de aspectos sociais, ou seja, com um ‘‘desenvolvimento econômico’’ vinculado à qualidade de vida das pessoas. Surgiram então conceitos como linha da miséria, necessidades nutricionais básicas e necessidades humanas básicas. Mais recentemente, foi criado o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), logo adotado pelo PNUD. Este índice compreende indicadores de saúde, de educação e de renda.
Nas últimas três décadas, a sustentabilidade ambiental passou a ser considerada como fator indispensável nas discussões a respeito de desenvolvimento. Dessa forma, surgiu o conceito de desenvolvimento sustentável, cuja definição mais conhecida é aquela que preconiza que a conquista atual de bem-estar não venha a comprometer o bem-estar das gerações futuras. Assim, fica bastante claro que a formação de recursos humanos capazes de trabalhar os aspectos relacionados ao desenvolvimento sustentável necessita ir muito além das questões econômicas ou tecnológicas. Esta formação exige que sejam considerados os aspectos sociais e ambientais, que são extremamente dinâmicos, especialmente em um mundo globalizado.
Nenhuma formação específica poderia receber tamanha responsabilidade sozinha. Na realidade, a formação deste profissional necessita enfatizar não apenas o conhecimento técnico, por si só, mas a importância do trabalho em conjunto no qual cada formação, cada experiência, cada contribuição, venha somar-se ao esforço em busca do desenvolvimento e da sustentabilidade. Para tanto, é preciso que tenhamos uma visão sistêmica a respeito do assunto. Acima de tudo, é preciso que estejamos conscientes de que buscar o desenvolvimento sustentável não é uma questão de benevolência para com a natureza e, sim, de inteligência, pensando, inclusive, no futuro das comunidades humanas.
Rosimery F.Oliveira é consultora do Núcleo de Desenvolvimento Sustentável do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade
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