Em qualquer economia, os dois principais fatores de produção são o capital e o trabalho. A forma como ambos são utilizados tem grande impacto sobre seu desempenho. Nos anos 80, os japoneses criaram técnicas de gestão da produção, o que potencializava os dois fatores da economia. Denominado Sistema Toyota de Produção (STP), engloba técnicas mundialmente conhecidas, tais como a troca rápida de ferramentas e a manutenção produtiva total, dentre outras. O STP visa eliminar as perdas existentes na produção, através de duas óticas gerais inter-relacionadas. A primeira tem o foco na melhoria dos processos da empresa. A outra relaciona-se com a necessidade de gerir melhor os Postos de Trabalho.
Em 1986, foi desenvolvida a Teoria das Restrições (TDR), que focaliza todo o sistema a ser administrado através da eliminação dos gargalos ou das restrições. Os conceitos, princípios e técnicas do Sistema Toyota de Produção e da Teoria das Restrições propõem a modificação tanto da forma quanto da Gestão dos Postos de Trabalho (GPT). Esta prática, que já vem sendo adotada em modernas organizações, visa eliminar as lógicas segmentadas (departamentalizadas) e partir para uma abordagem sistêmica, focalizando as ações nos postos de trabalho críticos do sistema, nos recursos com capacidade restrita e nas áreas com problemas relacionados à qualidade.
Nestes Postos de Trabalho, deve-se utilizar um indicador de eficiência que capaz de estimular a integração entre produção, manutenção, processo, qualidade e afins. O indicador é calculado a partir do Índice de Rendimento Operacional Global (IROG), proposto originalmente por profissionais que atuam na área da Manutenção Produtiva Total (TPM). Assim, realizam-se planos sistêmicos de melhorias, unificados e voltados aos resultados globais da empresa. A partir dessas informações, avaliam-se os Postos de Trabalho críticos levando em conta os indicadores e os respectivos planos de ação.
A aplicação do GPT, com enfoque sistêmico, é uma poderosa ferramenta para potencializar a integração do capital e do trabalho. A utilização dos ativos é maximizada porque os gestores focam nos pontos que realmente impactam o sistema de produção da empresa. Os investimentos em novos ativos tornam-se mais coerentes e eficazes, pois fica claro aos gestores onde e quando investir. As atividades que não agregam valor aos postos de trabalho são eliminadas e as pessoas tornam-se mais comprometidas e motivadas, pois esse trabalho é feito com a participação de todos. Isso gera o aumento da produtividade do trabalho e do capital, produzindo um aumento da competitividade e da lucratividade das empresas. Quem quiser saber mais a respeito dessa metodologia pode participar do seminário que será realizado na sede do Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade, no dia 28 de agosto, sem ônus aos participantes.
André Gustavo Staben é engenheiro químico, mestrando em engenharia de produção e consultor do Núcleo de Assistência às Empresas do IBQP
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