ESPAÇO IBQP - A responsabilidade do consumidor
Há alguns anos estamos sendo sistematicamente informados pela mídia a respeito das questões que envolvem a preservação ambiental. Governantes, ambientalistas, cientistas, educadores, formadores de opinião e inúmeros cidadãos comuns estão se mobilizando para tentar modificar os hábitos de consumo da sociedade, devido à escassez de recursos naturais, à crescente poluição atmosférica e à gigantesca geração de resíduos sólidos.
Mas será que já temos plena consciência do nosso papel nesse contexto? Ao adquirirmos um televisor, por exemplo, queremos apenas os benefícios que ele nos proporciona. Poucos imaginam o conjunto de placas de circuitos eletrônicos, bobinas, transformadores e outros elementos que compõem o produto. Com toda a certeza, não queremos possuir uma caixa que contém aproximadamente 4.000 substâncias tóxicas. Por isso mesmo, precisamos saber que, pelo menos até o momento, os consumidores são responsáveis pelos produtos que estão em suas casas, o que inclui os resíduos de fabricação, desde a embalagem (isopor, plástico papelão) até aquilo que resta do processo industrial (emissões atmosféricas, resíduos sólidos, efluentes líquidos).
É vital que cada um se torne responsável pelos produtos adquiridos, uma vez que é o poder do consumidor que faz a economia crescer e girar. Podemos mudar o comportamento de grandes indústrias com relação à fabricação de produtos ''verdes'', que possuam certificação ambiental e poluam cada vez menos o meio ambiente. A pressão dos consumidores também pode demarcar mudanças na forma de produção, diminuindo a agressão sobre os ambientes naturais.
Ser um consumidor responsável é fazer do consumo um ato de cidadania, considerando o impacto da compra e o uso de cada produto. Selecionar itens que não sejam fabricados por menores de idade - ou por algum tipo de trabalho escravo - e ter consciência da quantidade de recursos naturais usada na fabricação de um produto, além de conhecer seu destino final, depois do uso, privilegiando os artigos passíveis de reciclagem, pode ser um bom começo.
Optar por produtos recicláveis e duráveis, dar preferência àqueles que causem menor impacto ambiental e social, apoiar empresas responsáveis, ser seletivo e criterioso nas compras, diminuir o uso de embalagens e escolher produtos duráveis são algumas ações que amenizam a produção de resíduos em escala mundial. Para minimizar os efeitos do consumo desenfreado, a chave é pensar e agir diferente: reutilizando, reconsiderando cada escolha, reciclando e, ainda, comprando itens com certificação ambiental. Cada um pode fazer a sua parte. A grande decisão é: queremos ser protagonistas ou espectadores do mundo que nos cerca? Tornar-se um consumidor consciente é ser protagonista na construção de um mundo melhor.
Michele Leinig Bruce atua no núcleo de Desenvolvimento Sustentável do IBQP
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