Esmiuçando a carne vermelha
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sábado, 11 de abril de 2009
Wilhan Santin<br> Reportagem Local 
''Inimiga da saúde, entupidora de vasos sanguíneos.'' A carne vermelha, vira e mexe, é taxada de vilã. Muita gente a exclui do cardápio em nome de uma vida mais saudável. Outros, ao melhor estilo ''tô nem aí'', mandam ver. Não há um bom pedaço de costela ou uma picanha com capa de gordura que escapem ilesos.
No entanto, entre mitos e diz que disse, o consumidor acaba ficando com a pulga atrás da orelha. Comer ou não comer carne vermelha, eis a questão. Especialistas consultados pela FOLHA dizem que ela deve sim fazer parte da dieta, mas há restrições. Para que você não erre na compra e no preparo, esmiuçamos o bife.
O cardiologista Marco Antônio Fabiani diz que a proteína da carne vermelha é muito importante e não pode ser substituída pelas proteínas presentes em vegetais como a soja. ''O ideal é que façamos uma alimentação equilibrada, com fibras, carboidratos e proteínas'', orienta.
Contudo, é bom lembrar que a carne vermelha é rica em gordura animal; em outras palavras, o temido LDL, o colesterol ruim, aquele que obstrui vasos sanguíneos, causando sérios problemas de saúde, como infarto e derrame. ''Toda gordura que é sólida na temperatura ambiente é rica em colesterol'', explica o médico. Por isso, comer aquela gordurinha que fica ao redor da carne nem pensar.
''Mas tão ruim para o coração quanto ingerir essa gordura é ser sedentário ou fumante. Lembrando que há também o fator genético, 75% do colesterol ruim que uma pessoa tem no sangue é fabricado por ela mesmo. E para queimar colesterol, só fazendo exercícios físicos aeróbicos por mais de 30 minutos'', alerta Fabiani.
Para a nutricionista Gehisa Vieira Gomide, a carne vermelha tem mais prós do que contras, mas saber prepará-la corretamente é fundamental. Em primeiro lugar, é preciso fazer uma limpeza, tirando todas as gorduras aparentes antes de levar a peça para a panela, forno, grelha, espeto ou frigideira, pois, quando a carne vai ao fogo parte daquela gordura que é visível aos olhos vai para dentro das fibras. Outro conselho é evitar fritar a carne. O melhor é assar ou grelhar.
Escolher um corte magro também é importante. Alcatra, patinho, contrafilé e coxão mole são boas alternativas. Já a costela deve ser consumida muito esporadicamente e em pequena quantidade. ''Não existe costela magra'', salienta a nutricionista, lembrando que aquela gordura branca que fica grudada no fundo do prato depois que um belo pedaço da iguaria vai para o estômago é a gordura que se fixaria às paredes das artérias humanas.
Quando o assunto é a quantidade, a luz amarela se acende mais uma vez. O indicado é comer de 120 a 150 gramas de carne vermelha três vezes por semana. E nada de ''chutar o balde'' nos finais de semana ou nos churrasquinhos com os amigos, nos quais vigoram a conta de que é preciso comprar 500 gramas de carne para cada pessoa.
''Não adianta ficar a semana inteira sem comer carne e depois exagerar. Quem faz isso acaba sobrecarregando o organismo, que não vai ter condições de absorver toda a gordura, a qual vai acabar se depositando nos vasos sanguíneos. Os rins, por exemplo, também trabalharão acima do limite para filtrar tudo o que precisa ser filtrado'', ressalta Gehisa.


