O governo brasileiro defende a integração dos parques produtivos da Argentina e do Brasil como solução para o ''esfacelamento'' da indústria do país vizinho. A mensagem vem sendo reforçada no último mês pelo Palácio do Planalto, que mantém duas convicções. A primeira, que as medidas de aumento de competitividade adotadas pelo ministro de Economia, Domingo Cavallo, trarão resultados modestos. A segunda, que sua política de proteção a alguns setores chave tenderá a deteriorar a relação da Argentina com seus sócios do Mercosul.
Fontes do Itamaraty e do Palácio do Planalto informaram à Agência Estado que o governo se mostra assustado com o grau de esfacelamento do setor produtivo argentino. Argumentaram que até mesmo tradicionais exportadores do país vizinho, como o setor de carnes, perderam espaço na Europa para o produto brasileiro. Em vez de incentivar a disputa, o governo brasileiro acredita que a melhor solução seria promover uma aliança entre os produtores dos dois lados para que, juntos, briguem por mercados fora do Mercosul.
A fórmula daria fôlego e condições para a indústria e a agropecuária argentinas voltarem a atrair investimentos. ''A indústria argentina precisa de escala mais elevada de produção, para garantir maior produtividade'', receita uma fonte do Itamaraty.
A idéia de integrar as cadeias produtivas do Mercosul, em especial do Brasil e da Argentina, está em fase de gestação. Segundo o secretário de Desenvolvimento da Produção, Reginaldo Arcuri, o modelo será o do fóruns de competitividade das cadeias produtivas. Instalados desde o ano passado no Brasil, esses fóruns reúnem representantes de empresários, de trabalhadores e do governo com o objetivo de identificar e de dissolver os gargalos ao aumento da competitividade de cada elo da cadeia. No Mercosul, essa iniciativa deverá começar pelas cadeias produtivas curtas e com estruturas mais simples. O caso mais adiantado é o do setor de madeira e móveis. A expectativa de Arcuri é instalar esse fórum entre o final de outubro e o início de novembro. O próximo da fila será o de calçados e couro, que ainda depende do anúncio da versão brasileira, em setembro. (AE)

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