Escritório 2.0
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de setembro de 2012
Mie Francine Chiba <br> <br> Reportagem Local 
Ao entrar em um destes espaços, a impressão é de estar em um escritório de profissionais de áreas como design, marketing, informática. Decoração criativa e cheia de cores - diferente do padrão cinza, marrom e preto que costuma-se ver por aí - e aos moldes da geração Y. Mas depois de conversar com quem trabalha por ali, se vê que tem de tudo: de designer a advogado. E todos são de empresas diferentes. E o que estão fazendo ali, juntos no mesmo local, e ainda por cima conversando animadamente?
Esses são os espaços de coworking, já muito conhecidos nas grandes capitais, mas que começou a ser difundido no interior há pouco tempo. O conceito de coworking envolve muitas coisas, mas pode ser visto concretamente em uma infraestrutura física compartilhada entre profissionais liberais e pequenas empresas. Mesas, cadeiras, sala de reuniões, biblioteca, cozinha e até espaço de convivência são utilizados de forma conjunta.
Os três espaços de coworking que há em Londrina foram inaugurados há poucos meses. A última inauguração aconteceu há poucos dias. Duas das iniciativas nasceram nas capitais e a outra é tipicamente londrinense. O que justifica a presença de profissionais liberais e pequenas empresas de diferentes áreas dividindo o mesmo espaço é o conceito de consumo colaborativo.
O conceito, ligado à sustentabilidade, baseia-se na ideia de que, quanto mais pessoas dividindo um, espaço, maior a economia de recursos. O lema é ''pagar pelo que usar''. ''Isso vai além de um negócio de escritório, está inserido na ideia de que você não precisa possuir para ter o que deseja'', explica Jéssica Rodrigues Dias, proprietária da Nex Coworking.
Para utilizar os espaços de coworking, os coworkers - como são chamados os participantes desta ideia - pagam pela quantidade de horas utilizada por mês. Na Nex Coworking, existem planos que envolvem o uso do espaço apenas como endereço comercial, por 15 horas, 30 horas, 50 horas, 100 horas, meio período ou por tempo ilimitado. Os preços dos planos variam de R$ 50 a R$ 550.
Na Aldeia, os planos custam de R$ 55 a R$ 595 de endereço comercial a full time. O primeiro caso é para aqueles profissionais liberais que não precisam ter um escritório físico, mas precisam de um endereço comercial para abrir empresa, receber correspondência e telefonemas, por exemplo. Nos espaços de coworking, os profissionais e empresas também podem contar com flexibilidade de horários, já que não precisam estar lá com hora marcada e quando ninguém está, tem sempre alguém ali para anotar os recados.
O endereço privilegiado também ajuda o profissional ou empresa a dar uma ''boa impressão'', dizem os donos de coworking em Londrina, cujos espaços ficam no Centro, na Gleba Palhano e perto do Centro Cívico. Segundo os cálculos feitos por Jéssica, da Nex, o aluguel em um escritório com boa localização pode custar de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil e o investimento em infraestrutura entre R$ 5 mil e R$ 10 mil.
O consultor financeiro Rodrigo Leontino Camargo de Oliveira aderiu à ideia porque os atendimentos que fazia na empresa do cliente não rendiam. ''Quando você está alocado na empresa do cliente, o empresário tem uma série de atribuições. Quando você tem um espaço fora pode se concentrar só no que precisa e o fluxo de trabalho é muito melhor.'' E trabalhar em casa, nem pensar. ''Já cogitei trabalhar em casa, mas lá encontro muitas tentações para me distrair.''
Já o consultor de marketing Anderson Jorge Marcolino Pinheiro procurava um espaço com mais valor agregado e custo baixo. ''Antes de vir para cá eu procurava um local mais barato, salas menores. Mas não adianta pensar que ter uma sala pequena e colocar uma mesa no meio faz com que o cliente venha. Tem que ser um ambiente agradável.''


