Escolta onera custos do transporte de café
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sexta-feira, 11 de dezembro de 1998
Venilson Ferreira Agência Estado 
A exigência de escoltas por parte das seguradoras para transporte das cargas de café, além de aumentar o valor do prêmio do seguro, está reduzindo as margens de torrefadores e exportadores. As transportadoras acrescentam ao valor do frete R$ 1,00 por quilômetro rodado para cobrir os gastos com a escolta e recomendam aos empresários a formação de comboios, como forma de diminuir o gasto.
O custo médio da escolta fica em R$ 0,80 por saca de café transportada, mas no caso de um comboio com cinco caminhões a despesa cai para R$ 0,31/saca, afirma Sebastião Arnaldo Rodrigues, gerente regional da transportadora Transfato para a região de Patrocínio (MG).
Segundo ele, o alto custo da escolta levou a Transfato a estudar a desativação de escritórios em regiões distantes dos centros de consumo, como Rondônia e Bahia. Teotônio David Lopes, diretor proprietário da Rotacafé, transportadora do sul mineiro, afirma que nos últimos dois anos a empresa teve um prejuízo de R$ 150 mil com franquias, a partir do roubo de oito caminhões carregados de café.
Seguro O exportador Nilton da Silva Pinto, diretor da Associação dos Exportadores (Abecafé), considera uma incoerência as seguradoras exigirem escoltas e não reduzirem o valor do prêmio cobrado.
No caso de transportes de pequenos lotes de café, com 300 sacas, por exemplo, o custo da escolta é de R$ 3,00/saca, mais alto que o valor do frete, diz Silva.
O diretor da Abecafé critica a cobrança da escolta por quilometragem e diz que as exportadoras estão tomando medidas próprias, como montar equipes que acompanham os caminhões e direcionam os motoristas quanto ao trajeto a ser percorrido e os locais de parada.
Outra providência foi eliminar a compra de cafés de comerciantes não tradicionais, a fim de evitar a aquisição de produtos roubados. No caso de compra de cafés com nota do produtor é impossível saber se a mercadoria foi apenas requentada, diz ele.
Silva afirma que os ladrões são do ramo e cita um fato ocorrido no início do ano, quando duas carretas pararam em um mesmo posto. Uma carreta continha café destinado ao mercado interno e outra à exportação. Os ladrões roubaram apenas a carreta para exportação e, quando a outra carreta chegou à torrefadora, os encarregados perceberam que a sacaria continha vários furos feitos para verificar a qualidade do café.


