Algumas carreiras movem as pessoas menos pelo dinheiro, glamour ou tranquilidade profissional e mais pela vocação e habilidades. Esse é caso do professor. ''Quem opta pela licenciatura sabe das dificuldades e da realidade de uma sala de aula e sobre o salário. Quem decide ser professor, decide porque sente um chamado vocacional'', define Claúdia Vanessa Bergamini, 33 anos, professora de Português, Literatura e Redação, do Ensino Médio, do Colégio Londrinense.
Quem escolhe como profissão ser professor, acrescenta ela, o faz pela vontade de ensinar outras pessoas, repassar conhecimento, por afinidade, por prazer. Nunca apenas pelo rendimento. ''Boas colocações e oportunidades podem vir com o tempo. Mas não é uma área para se ganhar dinheiro'', diz a professora, sem remorsos. Pelo contrário, Cláudia sabe bem que muitas vezes seguir esse caminho é inevitável e pode trazer junto histórias recompensadoras.
A professora, por exemplo, lembra muito bem o caminho que a levou para a sala de aula: vocação. Com apenas 9 anos de idade alfabetizou uma senhora de 70. ''Era nossa vizinha e tinha o sonho de aprender a ler e a escrever. Então, eu ensinei'', conta. A família era simples, não tinha televisão em casa e uma das diversões de Cláudia - que gostava muito de estudar - era ler. Não foi difícil ensinar a senhora, pois além de ser uma menina estudiosa já tinha facilidade para repassar seus conhecimentos.
Depois vieram as aulas de catequese e as particulares. ''Tinha facilidade para ensinar e lidar com crianças'', frisa. Então, aos 26 anos, Cláudia decidiu cursar Letras. Primeiro teve que vencer o preconceito da própria família, que achava que ela deveria fazer uma graduação que oferecesse melhor remuneração. Mas a jovem seguiu em frente. ''Nunca pensei em desistir do curso. Pelo contrário, cada vez me apaixonava mais'', rememora. Depois de formada, também nunca pensou em fazer outra graduação. Pelo contrário, ela se diz cada vez mais envolvida com a docência.
Para ser um bom professor, Cláudia ''ensina'' que o mais importante é aprender a se relacionar com os outros. ''Saber lidar com todos e aprender com as diferenças'', descreve. Além, é lógico, de conhecer o conteúdo a ser repassado com bastante propriedade. Ela também se prepara profissionalmente: já cursou uma especialização em literatura brasileira e pretende, em breve, dar início ao mestrado na área. Para o futuro, ela deseja que a sociedade respeite mais a profissão e entenda que o professor pode ensinar não apenas conteúdos práticos, mas também repassar valores. (E.Z.)

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